Pedro Valdez Cardoso desenvolve um trabalho frequentemente de fundamentos históricos e simbólicos, onde procura desenvolver uma construção de sentidos que se prendem com questões políticas e de crítica social. Actualmente expõe na Artadentro, em Faro, o projecto “Resort”, até 18 de Julho.
Miguel Soares explora campos extremos da tecnologia. A sua obra apresenta-se como uma ficção, uma antevisão, por vezes uma crítica. Expôs recentemente Geolux no Centro de Artes Visuais (CAV), em Coimbra. Albano Silva Pereira, comissário da mostra, afirmava que “Soares funde referências da alta cultura (a arte conceptual, a música erudita, as referências científicas) com elementos vernaculares (as lâmpadas de uma casa de província, os filmes de culto ou a indústria do tuning)”.
By Risoleta da Conceição Pinto Pedro,
on 12-06-2009 10:10
Plácida paisagem para o (re)pouso do olhar
Que faz um carneiro asiático no meio dos rostos e do mar? Diz a legenda que está perdido: “Carneiro asiático perdido” . Só pode estar. Mas não parece perturbado; petisca placidamente uma erva rosada como se fosse a única coisa importante para fazer ali. E é. A sua missão é estar no meio do rosa como carneiro perdido. Também os répteis aparentemente estranhos ao cenário humano ali têm o seu lugar plenamente justificado. Esses olham o mar. Uma “quase mão”, de tão humana, ergue-se para o céu no cenário entre terra e mar. Signo, símbolo ou sinal, esta “mão” de réptil?
Gunilla Klingberg na sua recente exposição no Bonniers Konstall, em Estocolmo (Suécia), continuou o questionamento do comum cidadão ocidental, um consumidor manipulado. A artista apesar de não esperar que os seus trabalhos provoquem um revolucionário despertar colectivo, considera-os como grãos de areia na engrenagem do sistema e antitodos para a alienação colectiva provocada pelo consumismo.
O Doc’s Kingdom, Seminário Internacional sobre Cinema Documental, volta a Serpa entre os dias 16 e 21 de Junho. Nesta edição o Doc's apresenta um percurso por uma série de obras históricas e contemporâneas, propondo, na tradição do Seminário, uma abordagem transversal que permita reflectir sobre diversos aspectos da imagem política (e imagem da política) no cinema.
Jorge Barreto Xavier, Director-Geral das Artes, escreve sobre a obra de João Maria Gusmão + Pedro Paiva, dupla que foi escolhida para representar Portugal na Bienal de Veneza deste ano, inaugurada a 7 de Junho e que se prolongará até 22 de Novembro.
Gilbert Garcin expõe fotografias na Galería Astarté em Madrid (Espanha), até 24 de Julho. Sobre as insólitas narrativas do artista francês publica-se de seguida o texto “Las inquietantes imágenes de Gilbert Garcin” do comissário da exposição, Miguel Fernández-Cid.
Instalações e fotografias de Adelina Lopes estão patentes na Galeria Pedro Oliveira, no Porto, até 13 de Junho. Joana Deus, em texto que a seguir publicamos na íntegra, refere que “nesta série de trabalhos é patente uma estratégia de fuga para um universo de simulacros onde a falta de protagonismo da cor não destrói a relevância das imagens”.
Cristina Ataíde expõe “Lugares de deriva” na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, até 30 de Junho. A mostra centra-se nas referências das montanhas, tema que as obras recentes da artista têm tratado insistentemente. Paulo Reis, em texto que publicamos na íntegra" considera que "Cristina Ataíde é um destes autores que vêem na montanha algo que transcende do espaço físico ao símbolo e metáfora, sendo também um mistério em si".
Paulo Reis escreve sobre a forma como João Noutel pensa a sua obra, a propósito da exposição “Giant – The Voyeur Project”, que recentemente encerrou na Ermida da Nossa Senhora da Conceição, em Belém, Lisboa.
"Construir uma memória do presente" é a tarefa desempenhada pela Fundação de Serralves ao longo dos seus 20 anos de existência. João Fernandes escreve sobre a exposição patente no Museu, a sua grande exposição do ano.
Juan Génoves apresentou pinturas de pequeno formato em “Memoria”, exposição recente na Galería Marlborough em Madrid (Espanha). Estas obras têm uma leitura socialmente comprometida, mas, para o artista, são expressão essencialmente plástica. Génoves capta o mudo, o movimento potencial e a "magia" das representações que partem da realidade social para construir novos mundos para o observador.
Publica-se a seguir entrevista realizada ao artista.
By José António Pinto Ribeiro,
on 24-05-2009 01:37
José António Pinto Ribeiro, Ministro da Cultura, no texto de sua autoria que a seguir publicamos, explica as razões da escolha da dupla João Maria Gusmão + Pedro Paiva para representar Portugal na Bienal de Veneza.
Natxo Checa, comissário da representação portuguesa à Bienal de Veneza, com obras da dupla João Maria Gusmão + Pedro Paiva, é o autor do texto que a seguir publicamos.
Pedro Chorão pinta à margem do mediatismo, do tráfico de influências, impondo-se uma “postura ética de grande rigor” (Paulo Henriques, 2002). Não segue correntes, não procura influências de grandes nomes da arte, antes o faz a partir das coisas simples do quotidiano da vida. Não está na moda, nem fora dela. Expõe há 34 anos, está representado em colecções de referência (Gulbenkian, Caixa Geral de Depósitos, vários ministérios, museus e instituições), mas mantém sempre a descrição que a sua própria maneira de ser lhe impõe.
“As Cidades Invisíveis” de Italo Calvino ganham forma plástica nas obras actuais de Carla Rebelo. É o início de um novo projecto que já começou a expor, integrado na mostra "entre dois tempos", conjunta com obras de Rita Cortez-Pinto: “É o início da minha ligação com o livro em termos plásticos”.
Etienne Krähenbühl (n. 1953 Vevey-Suiça) expõe “Memobiles” na Galería Joan Gaspar em Madrid (Espanha), até 31 de Julho. Nas esculturas que o artista apresenta o som e o movimento incorporam uma matéria estática na aparência. Krähenbühl parte da observação da sociedade e dos fenómenos e, através de um trabalho de descoberta pessoal, recria e sintetiza sentidos da Natureza. Em “Memobiles”, as peças ressoam internamente na representação do observador.
Publica-se a seguir entrevista realizada ao artista.
Sofia Leitão expõe “Dear Time's Waste” na Caroline Pagès Gallery, em Lisboa, de 21 de Maio a 31 de Julho. Na mostra a artista apresenta esculturas. Patentes também na galeria trabalhos da artista francesa Mïrka Lugosi. Sobre as exposições publica-se a seguir um texto da autoria de Rita Santos.
Pedro Tudela fará uma intervenção no cofre do Edifício da Reitoria da Universidade do Porto de 15 a 31 de Maio. Sobre a intervenção do artista publica-se o texto “Os sítios que guardam conhecimentos são seguros?” da sua autoria.
Nuno Ramalho expõe “Mercado Negro” no piso inferior da Galeria Graça Brandão, em Lisboa de 21 de Maio a 27 de Junho. Sobre a mostra publica-se a seguir um texto da autoria do artista.
By Risoleta da Conceição Pinto Pedro,
on 08-05-2009 14:10
Brígida Machado
Às vezes ando pela rua e entro pelas portas que se apresentam abertas. Aquela galeria, que agora já não está lá, mudou-se para o Príncipe Real, colocou-se um dia no meio do meu caminho. Eu vinha com a mente em branco, de tanto nadar. Afogara os pensamentos e sentia-me como uma tela em espera. Então entrei na Galeria e foi como se todo o assustador universo da infância tivesse resolvido desassombrar-me, digo libertar-me do medo, com uma encenação de espaço, cor e humor.
“Batalha de Sombras” é o título da exposição constituída por obras de fotógrafos portugueses da década de 50 que está a decorrer no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira , até 14 de Junho, constituída por obras do acervo do MNAC – Museu do Chiado. Emília Tavares, comissária da mostra, é autora do texto que a seguir publicamos.
Na recente exposição "Memento Mori" na Galería Fernando Pradilla, em Madrid, Juan Gallego apresentou flores pintadas a óleo, com técnica hiper-realista. O artista - numa contemporaneidade onde as modas seguem outras direcções, com a tecnologia e a sedução a desviarem o observador da poética da obra - tem a coragem de seguir o seu próprio caminho e "recuperar" a tradição da grande pintura, onde os sentidos da representação se situam muito para além da imagem.
O artista José Miguel Pereñíguez apresenta até 30 de Maio na Galeria Pedro Oliveira, no Porto, a exposição ”Años de peregrinaje”. Uma revisitação por peças produzidas pelo artista há alguns anos atrás, foram o ponto de partida para novos desenhos que questionam a relação entre personagem e espaço e a procura efectiva do ”lugar”.
Cristina Ataíde apresenta fotografias e esculturas na exposição inaugural, “...são bons estes LUGARES de cinza”, da Quase Galeria, no Porto. Sobre a mostra patente até ao dia 6 de Junho publica-se a seguir um texto de Maria de Fátima Lambert.
“Geolux” reúne obras com diferentes temáticas que Miguel Soares tem vindo adesenvolver desde 2006. Várias fotografias e vídeos que evidenciam o universo do artista, onde tecnologia, ciência e ficção se fundem de forma particular. Para visitar até 7 de Junho no Centro de Artes Visuais, em Coimbra.
Glen Rubsamen e João Galrão têm patentes exposições na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, até 16 de Maio. Glen Rubsamen apresenta uma série de pinturas e vídeos realizados recentemente no México. João Galrão dando continuidade ao trabalho que vem desenvolvendo nos últimos anos, apresentará uma série de esculturas. Sobre o trabalho do primeiro, publica-se a seguir um texto da sua autoria.
By Risoleta da Conceição Pinto Pedro,
on 15-04-2009 22:32
… ou a construção do arco-íris:
Para além de ser uma das personagens do Decameron, o que lhe valeu ser amigo de Bocaccio, é agora o nome de uma importante marca de canetas de feltro.
Mas ele, o grande, apesar de, segundo dizem, ter sido de pequena estatura, nasceu em 1266, perto de Florença, e neste final de período escolar, entre as aulas e a Páscoa, com dias inteiros na escola sem ver o sol, e ainda por cima sem os alunos, foi quem me valeu.
Porque está “implícito” numa exposição que tive mesmo à mão, não ele mesmo, mas o que, para além da obra, por aí resta dele: a memória do nome em forma de canetas de feltro. Não me refiro àquelas com que se escreve, ou com que se desenha, mas com que, sem escrever, sem desenhar, realmente se cria.