By Risoleta da Conceição Pinto Pedro,
on 26-05-2008 12:12
No museu havia (e há, e há, felizmente…) um director, uma conservadora, um espaço. Não havia dinheiro, vai sendo o costume por todo o lado (contudo, para algum lado ele irá, que eu saiba, a terra não está rota…), infelizmente. Havia entusiasmo e amor por uma ideia. Fora do museu havia um coleccionador, umas pessoas que tinham dedicado a sua vida a estudar um determinado assunto, sendo, uma delas, uma das vozes mundiais ouvidas com atenção sempre que é preciso fazer-se ouvir uma voz. Houve também uma jovem designer. Provavelmente estou a omitir alguns protagonistas, algumas personagens, não sou uma contadora exemplar.
“But I Fly” é o título da exposição de Lygia Pape, patente na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, até 31 de Julho. Na mostra exibem-se, para além do último vídeo da artista e algumas obras da série “Tteias”, gravuras e objectos escultóricos bi e tridimensionais – trabalhos onde a “frágil” solidez que estrutura o Mundo e a Vida se torna visível.
Comemora-se hoje, dia 18 de Maio, no mundo real, e também no universo virtual, o Dia Internacional dos Museus. Este ano, a temática celebrativa é Os Museus como Agentes de Mudança e Desenvolvimento social, e vem demonstrar o papel dinâmico dos museus no crescimento e desenvolvimento sustentável.
Na Carlos Carvalho Arte Contemporânea, em Lisboa, até 14 de Junho, Cristina Ataíde expõe “Manual de Instruções”, um conjunto de pequenas esculturas de montanhas, em bronze. E um, só um, desenho. Nas obras, a artista aborda questões como a efemeridade existencial, a suspensão e o vazio. Recupera, assim, a partir das suas experiências no Oriente, alguns temas que a materialidade tecnológica Ocidental procura continuar a ignorar. Há, igualmente, a procura de maior envolvimento do observador/coleccionador na experiência da obra.
Ana Telhado olha o infinito através das suas fotografias. Ao assimilar a realidade do local aonde se desloca, adquire o poder de reorganizar os seus elementos. A imagem dotada de sugestão possibilita a descoberta do Outro, por participação – é o meio pelo qual se efectua a passagem e se opera o reencontro. Na presente exposição “Cartografias: Paragens”, patente a partir de 10 de Maio no Módulo (até 5 de Junho), em Lisboa, Telhado reordena a realidade da Guiné-Bissau.
O projecto do Centro de Estudos e Museu do Surrealismo (CEMS) , a erigir em Vila Nova de Famalicão em 2009, irá criar um equipamento cultural único no país destinado a albergar mais de 1900 obras do surrealismo, incluindo todo o espólio de Mário Cesariny, e a promover o estudo e divulgação do surrealismo.
João Penalva expõe T.D. (Transmissão Directa do Relógio da Igreja Matriz de Vila do Conde), na Solar – Galeria de Arte Cinemática em Vila do Conde, de 10 de Maio a 22 de Junho. Publica-se a seguir um texto de João Penalva sobre este seu trabalho.
Os espaços percorridos pelas personagens de “Vertigo”, além de apresentarem as características ficcionais próprias da narrativa, mostram curiosas associações à simbologia tradicional. Essencial, no filme, é o sonho lúcido de Scottie, que surge ao espectador menos atento como um pesadelo quando representa um momento da passagem iniciática.
Habacuc tornou-se um marco. Em Agosto de 2007 recolheu um cão doente e faminto e expô-lo na Galeria Códice, em Manágua, capital da Nicarágua. Poucos meses depois o caso era conhecido em todo o mundo, agravado pelo facto de se afirmar que o animal tinha morrido de fome e de sede durante a mostra. Agora, a indignação tornou-se quase universal, após o convite ao artista de participação na Bienal Centro-Americana (Bienarte) que decorrerá este ano nas Honduras a partir de 16 de Novembro. A indignação é, no entanto, a obra do artista.
“Boarding Gate” passa actualmente nas salas portuguesas. Este filme de baixo orçamento associa Oriente e Ocidente, assassínio e sexo. Conta com as participações de Michael Madsen e Asia Argento. Sobre o filme transcrevem-se alguns comentários do seu realizador, Olivier Assayas.
The art community has the resonance of evoking global issues, reinforcing the reflection of ethnical questions, where social concerns are increasingly more made evident through art works, rather than on social reason. The exhibition Murder Letters shows artworks from eleven prominent young artists and just as in different letters, what is displayed here are fragmented views of a city. In this particular case the setting from which they write about is New York City.
Até ao advento da modernidade, a Arte preocupou-se externamente em adequar forma e conteúdo, através do desenvolvimento, entre outras, das técnicas de representação, composição e iluminação. Preocupações técnicas que, em algumas épocas, tornam confusa a distinção entre a actividade artística e a prática do artesanato sem, contudo, se anularem. Hoje, as metodologias empregues pelos artistas assemelham-se quer à prática industrial quer à actividade política. Assim, a obra de Arte encontra-se ameaçada, pela ausência de poética ou de concretização.
“Caminhos de Descoberta. Camões Revisitado a Partir do Mediterrâneo” é o nome da instalação de Lourdes Fisa, a decorrer de 23 a 29 de Abril, no Reservatório Patriarcal do Museu da Água em Lisboa. Transcreve-se a seguir um texto de Glòria Bosch sobre o trabalho desta artista.
Em “In The Cut” (2003), obra de Jane Campion, a realizadora transforma elementos presentes na história do Capuchinho Vermelho (assim como de outras histórias infantis) sem alterar, contudo, o seu sentido profundo. Tal como em outras representações realizadas ao longo da história da arte, os aspectos simbólicos resguardam-se na sua exterioridade.
Natércia Caneira entrevistou Orlando Franco sobre os trabalhos que expõe na Sala do Veado, no Museu de História Natural, em Lisboa, até 27 de Abril, que intitulou genericamente de “Ana.sta.sis”
“É num terreno acidentado que os trabalhos aqui apresentados se situam, denunciando a implicação de um corpo, cuja presença nos é revelada apenas por indícios ou retratos incompletos, traços imprecisos e ambíguos. Fala-se de um corpo ausente, indiferente, de um corpo plano, de um fantasma” - palavras de Vera Mota escritas para a sua exposição na no Espaço 531 da Galeria Fernando Santos, no Porto, a decorrer até dia 16 de Abril.
A noite e a luz que nela se encerra é uma das primeiras evidências da obra de Jorge Santos. Os seus trabalhos apresentam-se como uma procura de “altos-contrastes”, de antíteses tanto formais como de conteúdos. Nisto determina a sua poética, em torno disto desenvolve o conceito em que assenta o seu trabalho.
Cristina Ataíde, criadora dos “ready-readymade”, “made in readymade” ou “ready-madein” (segundo José Gil), inaugura hoje na Galeria Quattro, em Leiria, uma mostra de desenho e escultura ou “escultura-escultura”, como define o filósofo.
A história infantil “O Capuchinho Vermelho” faz parte do imaginário colectivo e como tal foi e é objecto de inúmeras adaptações. O “lobo” e as “tentações” que lhe estão associadas são constantemente representados, de forma directa ou indirecta. Em 2003, Jane Campion realizou “In The Cut”, um filme onde as referências a elementos desta história constituem parte indispensável da narrativa.
"Corações" é o nome do filme que passa actualmente nas salas de cinema portuguesas. Sobre esta obra transcreve-se uma entrevista ao realizador constante do dossier de imprensa da Atalanta Filmes.
Em “Vertigo”, de Alfred Hitchcock, a simbologia tradicional encontra-se em todos os aspectos do filme, que toca, na sua narrativa, num conjunto de temas e episódios desde a antiguidade associados a mensagens iniciáticas, a fórmulas que conduzem ao “Despertar do Ser”.
A procura ou a construção de cenários é o passo decisivo da obra fotográfica de Duarte Amaral Netto, ao captar imagens “para além do visível”, expostas na Módulo, em Lisboa, até 27 de Julho (de 2006).
Duarte Amaral Netto “mostra” o que está ausente. Os “momentos” que capta assentam em cenários que constrói (ou procura) que nos induzem enquanto observadores à percepção de uma história hipotética, mas ausente. O cenário deixa fora do campo da visão os elementos constituintes da narrativa, o que induz o observador a ser o próprio autor das histórias possíveis. Como em Friedrich. Aliás como em Friedrich faz-nos personagem do quadro.
Existe uma componente na arte do século XX que se encontra intimamente ligada ao surgimento de uma cultura e uma teoria da linguagem que consiste na valorização da série e da repetição como metodologia criativa.
Na rubrica Já Não Há Cinéfilos? do Cineclube de Joane inicia-se no próximo dia 9 de Abril o Ciclo Western Leone, que projectará três filmes. Sobre o ciclo publica-se o texto de Vítor Ribeiro, Director do Cineclube de Joane.
We might as well admit right away: the original material has been lost, even its authors have been lost, all that remains is the wave of a hand, the back of a head, a pair of sunglasses guarding eyes that will never stop closing. Somehow these private gestures caught on super-8 film, repeated again and again in different families in different continents, enacted so that they can stage the act of family itself, all this has slipped away.
No espaço da modernidade a mudança de paradigma perceptivo com a recepção da imagem em movimento definiu-se como um dos campos mais determinantes para a definição de novas construções interpretativas do respectivo valoruso.
Hugo Olim (set-reset) e Pedro Maia (super 8 series. portrait) são os criadores escolhidos para a segunda edição do Projecto pensar a imagem que resulta de uma parceria existente entre o Curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual (tcav) da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (esmae) / Instituto Politécnico do Porto (ipp) e o Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema através da Solar – Galeria de Arte Cinemática.