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07-Jan-2009
Mau tempo nos “off-shores” | Maldizer PDF Imprimir e-mail

By Vera Chi Lo Sa, on 30-05-2008 00:07

Quem mexeu no anticiclone? Não se acusa? É sempre assim, fazem-na feia e depois escondem a mão e eu, loira e ingénua q.b., a cair em todas… Porque, só pode! E andei eu a sonhar com sol e praia e bronze e kinis (só a tanguinha, né?) invisíveis de lado e é Maio a acabar e Junho a começar e eu branquinha, branquinha, mais branquinha que o off-shore da Madeira, ai coitadinho do meu rico Berardo, o meu Berardozinho, o meu keriducho JB.

Pensando bem, até entendo que o anticiclone dos Açores não esteja onde devia estar nesta altura – sobre a zona Oeste da Europa, como é habitual –, preferindo ficar-se ao largo… Por aqui as coisas não vão lá muito de feição, bem pelo contrário, mesmo para os “antis-tudo” do costume. Até parece que estamos todos metidos no mesmo embrulho, menos os “happy fews”, a esses não há mal que lhes chegue…

Como não há, por aqui, Verão que se veja – e a “saison” lá por fora ainda está fraca, que isto do turismo é cada vez mais para aventureiros de barba rija – alguns “happy” dedicam-se a outros divertimentos. Que querem do meu JB? Nem como consoante o quiseram, quanto mais como vogal, depois daquele estardalhaço todo, que deu no que deu e ainda está para dar, se der… E eu que queria estar toda douradinha, a preocupar-me, ai ai ai facturas falsas, ai ai ai branqueamentos em off shores, ai ai ai fraude fiscal… Off shore está masé o anticiclone açoriano, ai deuses que querem eles do meu JBzinho e do Horácio Roque, ai que os ex-BCP’s se vingam nos Banifes. Do Roque não quero nem saber, mas no meu mais que tudo não gosto, não quero, não deixo, que lhe chova em cima. E eu sem poder usar o meu novo bikini-sem-bi, que é uma curte!

Estas coisas não costumam dar mesmo em nada, os da construção civil que o digam, mas chateiam enquanto não prescrevem ou negoceiam. E até há quem diga que basta falar-se, hoje, em combate à corrupção para se ganhar um bom tacho. Mesmo assim, nunca é de fiar: já me andam a dizer que vêm aí as chuvas ácidas. O tempo é mesmo assim, para uns chove, para outros faz sempre sol, o que é uma grande injustiça.

Mas toda eu sou um oh de espanto com a descoberta de um verdadeiro artista que resolveu agora sair do armário e assumir-se. Ele pinta. Ele poetisa. Ele filosofa. Do que pinta pode ver-se algo, na lisboeta First Gallery. Muito “simbólico”, porque, como diz, “a estética é a aparência das coisas”. E dele diz a agência noticiosa nacional: “A criatividade plástica de Teixeira Pinto exprime-se em óleos sobre tela, nas quais usa o branco, o preto, o dourado e o prateado, em quadros com números, palavras, notas musicais.”

Prontos, já sabem de quem estou a falar, de PTP, o ex-presidente do conselho de administração do BCP, agora presidente do conselho de administração da Guimarães Editores, que adquiriu recentemente. "Nunca tive a pretensão de ser um pintor. E vou dar este passo contrariado, só porque várias pessoas, cuja opinião levo a sério, insistiram e motivaram-me", justificou, sobre a sua exposição na First. "Um ponto de amadurecimento, ao fim de dez, doze anos de maturação", observa. Em poesia tem estreia marcada para Setembro: o livro "LXXXI - Poema Teorema", com um conjunto de poemas, todos eles com títulos e numeração em latim, em latim imaginem, tão opus.

Bem-vindo sejas ao mundo das artes, onde antes mecenavas com carinho e empenho e algum jeito, PTP do meu coração aflito com este Inverno que nos oprime desde antes da Inquisição e sem Sebastião à vista. Vou fazer o possível para esquecer que foste Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente da Comissão Executiva do BCP, de onde saíste há cinco meses, com uma indemnização de dez milhões de euros e uma pensão vitalícia anual de quinhentos mil euros.

Não é que eu queira uma exposição na First – há outras que me merecem mais consideração – apenas não vou a lado nenhum, nem à praia, com os teus “simbolismos”, isso de se ser autodidacta tem muito o que se lhe diga e logo pintar a óleo sobre tela, oh krido, tem tento nessa cabecinha! O que vale é que, nos teus riquíssimos 47 anos, ainda tens tempo para aprender as técnicas elementares. E se te chateares, porque isto das artes é difícil, sempre te podes meter num avião para as Maldivas, ou Malvinas, onde me encontrarás, linda e loira e de monokini – chegou-me agora a palavra à ponta da língua – ou nem isso. E, se calhar, até seremos muito felizes…


   

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