| By Vera Chi Lo Sa,
on 05-06-2008 14:18
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Ainda estou de luto, meus queridos, mas de luto por Yves Saint Laurent. Sim, nestas coisas, como em todas, há que ter bom gosto. E eu tenho. Então, na segunda usei o meu "le smoking" antracite, um clássico; na terça fui jantar a um restaurante no Guincho, não vos digo qual nem com quem, e usei um “jersey tricolore” mas muito discreto; ontem, à festa de homenagem a YSL em casa da Sissy – ela detesta tristezas e achou que fazer uma festança era a solução – levei o meu Piet Mondrian. Hoje ainda não sei. Estou tão indecisa. Nem pareço eu! O que sei é que no Domingo vou a Serpa ouvir Gilberto Gil. Não me digam que não sabiam! É mesmo assim, Gilberto Gil o cantor e ministro da Cultura brasileiro, vai estar em Serpa, no domingo, inserido num encontro promovido pelo município local. Vai decorrer no centro histórico de Serpa, inclui sobretudo espectáculos de música, o tradicional mercado cultural e gastronómico, animação de rua, cinema e oficinas. O encontro, como é costume, pretende "promover a cultura enquanto factor de união entre os povos", divulgando várias manifestações culturais de Serpa, de outras regiões portuguesas e sobretudo de países como Brasil, Espanha, Cabo Verde, Guatemala e Bulgária, com os quais o município tem "laços de cooperação", através da Rede Internacional de Municípios pela Cultura (enRede). Só espero não ver, apenas por razões de bola, bandeiras portuguesas penduradas por tudo quanto é janela daquela cidade lindíssima. Que ideia mais anti-estética aquela! Pendurar bandeiras por todo o lado. É mesmo de muito mau gosto. E quando as bandeiras ficam rotas e desbotadas? É de bradar aos céus. Um raio de uma ideia! Aquele brasuca não tem o mínimo bom gosto! Só deve saber o que é futebol, samba e picanha. Uma ideia tão foleira como a de artilhar todas as casas, casinhas e casotas do país com bandeiras, bandeirinhas e bandeirolas nunca poderia vir de alguém como YSL, nem de Gilberto. Quem faz bem é a Câmara Municipal de Tarragona, Catalunha, mesmo aqui ao lado. Para manter a estética da fachada dos edifícios proibiu o estendal de roupa nas varandas. Ninguém mais, ali, verá a cueca de mamacita. Nem o fio dental da filhota. Nem a ceroula do avô Alonso, laçada a nastro nos joanetes. Mas não é só o estender de roupa, nuestros hermanos tarraconenses também vão deixar de sacudir tapetes, roupa e toalhas de varandas e janelas e quanto a flores só de cacto, pois nem poderão regar plantas sempre que exista a possibilidade de incomodar vizinhos de baixo ou peões. A multa sobe aos 750 euros. Acho que também devíamos multar e já esse senhor brasuca, por fomentar a descaracterização das fachadas dos nossos edifícios e por claro incentivo ao mau gosto nacional, que já é o que é sem precisar de ajuda. Mas claro que a multa deve ser mil vezes 750 euros. Mau gosto por mau gosto, recomendo visita à simbólica exposição de PTP, ex-PCA do BCP, na First Gallery, que é outra forma de embandeirar em arco sem se saber peva das normas da sinalética maruja. Mas está muito bem onde está a mostra que mostra uma exdrúxula sensibilidade de Tio Patinhas. Como Dior e Chanel estão para Paris e ninguém pensaria em abrir coisa própria com esses nomes em Londres ou em Oslo está a First Gallery para Lisboa. É “fine”, refinadamente “blasée”, baptizar-se uma casa de fado de “Moulin Rouge” ou uma estátua de Cutileiro de “manequen pis”… Tem tudo a ver. Como Paulo Amaro Contemporary Art e Cristina Guerra idem, quer dizer, Contemporary Art também. Não sei quem foi o ou a do copianso, mas ambos partilham do mesmo génio daquele brasuca em terra lusa, empenhado em esconder a crise das coisas e das almas sob uma patrioteira floresta de bandeiras verde-rubras. Partilham o mesmo génio do mau gosto, que YST sempre detestou. E o Gil. E euzinha, loira e tudo, mais modestamente, também. Ai deuses… P.S. - Não o PS do Primeiro de que não digo o nome que é já um enjoo, que horror, por mais armanis que vista. Nã, é mesmo um post scriptum para dizer que sei muito bem de quem foi o copianso, mas não digo, desta piroseira provinciana de misturar nomes ingleses com os portugueses. Até o Eça se sentiria em casa ao ver que somos iguaisinhos ao que sempre fomos. |
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