| By Risoleta da Conceição Pinto Pedro,
on 07-06-2008 20:38
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Para além de um Museu Municipal de Arte Contemporânea, Tomar tem uma galeria de exposições no edifício dos paços do Concelho, na Praça da República, em cujo centro um dos mais eminentes mestres Templários, Gualdim Pais, se ergue, virado para a belíssima Igreja de S. João.
Esta galeria tem exposto regularmente obras de artistas reconhecidos. Aí estiveram expostos alguns dos nossos melhores artistas plásticos contemporâneos, como foi o caso de António Dacosta, numa mostra onde o surrealismo na sua expressão mais onírica não era o lado mais visível. Açoreano, viveu entre Lisboa e Paris. Nemésio chamou-lhe “pintor europeu das ilhas”, José-Augusto França considera-o “o mais importante pintor português do último quartel do século XX”. Foi surrealista (pertenceu ao Grupo Surrealista de Lisboa) e depois abstracto. A estação de metropolitano do Cais do Sodré tem uma intervenção plástica de António Dacosta, que antes de falecer (em 1990) deixou alguns esboços que foram integrados na estação, segundo a interpretação do artista plástico Pedro Morais. No cais da estação podemos encontrar grandes painéis de azulejos representando um coelho apressado, evocando a personagem de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll. Gosto de visitar exposições acompanhada por amigos que gostem como eu de pintura, sozinha, ou com pessoas que não tenham o hábito de o fazer, crianças, adolescentes ou jovens, porque têm um olhar mais puro e mais verdadeiro e menos viciado nos clichés do olhar. Quando alguém me interroga e diz: “mas aquilo é maneira de pintar um pato? O meu irmão era capaz de pintar um pato muito mais parecido…”, que fazer? Que dizer? Recuar horrorizada perante o escândalo, rir, explicar, ou… reflectir seriamente acerca do “que é um pato”? De que serve pintar patos? Para que queremos pintar patos? De que serve pintar um pato “parecido” com um pato se esse pato nunca irá nadar, nunca irá andar com aquele ar desequilibrado dos patos, se nunca vai chocar ovos, se nunca irá morrer? Aquela mancha amarela que faz vagamente lembrar um pato é realmente um pato ou uma outra coisa, aquilo que o olhar do pintor viu? Ou será que aquilo é o mais parecido que temos com o que ele viu? Quando vemos um pato, será que vemos o mesmo pato? O pintor joga com impressões, fantasmas, assombrações, ambiguidades, aparências, miragens, revelações, aparições. É isso que temos a agradecer à pintura, à arte: o acrescentar. Copiar é fácil, mas não é simples; tem que se ir para uma escola. Criar é simples, mas não é fácil, é uma dádiva maior, temos de entrar em nós e darmos o que retiramos lá de dentro… o melhor, por vezes isso coincide com o mais duro, o mais doloroso, o mais sombrio. Quando tivermos esquecido a escola. É por isso que os grandes artistas começam por criar academicamente, com todas as regras que a aparência da realidade exige, e depois se vão afastando em direcção a uma… verdade maior. Única. Que está (apenas) dentro deles. E que, generosamente, partilham connosco. www.risocordetejo.blogspot.com |
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