| By Luís Pinheiro,
on 09-06-2008 08:39
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“Square disorder” é uma intervenção de Susana Mendes Silva, patente ao público no espaço da Appleton Square, em Lisboa, até 13 de Junho. O trabalho da artista, efémero e praticamente invisível a um primeiro olhar, questiona o espaço expositivo e, por extensão, o de representação.
“A intervenção de Susana Mendes Silva projecta no espaço da galeria a desordem repetida ao insinuar que a grelha que nos serve ao mesmo tempo de tecto pode intermitir entre ser um objecto ou um cenário/envolvência e tenta ainda catapultar essa experiência mediada pela estrutura escassamente visível para o limiar de um entendimento corporal provocador e incomodativo que contraria o processo (…) das habituais intervenções tácteis ou visuais. Ao arriscar no título da peça uma aproximação ao nome do espaço, Square Disorder dentro da Appleton Square, a artista parece insinuar a inevitabilidade de um processo de refundação do poder efectivo do espaço e a sua influência nas potenciais leituras da intervenção. Desta atitude podemos inferir que esta grelha aligeira o peso do quadrado e destrói a sua soberania.” (João Seguro, Square Disorder)
O “White Cube” – espaço neutro que a contemporaneidade da arte consolidou como espaço expositivo por excelência – é posto em causa com a presente intervenção de Susana Mendes Silva. “Square disorder” apropria o espaço na instalação da obra e recria-o na experiência do observador participante. Espaço e obra fundem-se, uma vez que é impossível circular pelo espaço sem ter contacto visual e táctil com o trabalho da artista. A obra que confere o carácter expositivo ao espaço ou o espaço que atribui valor artístico ao trabalho são distinções que passam a pertencer ao passado. O espaço da galeria, destruída a sua neutralidade, interfere directamente na percepção da obra e é um dos elementos que a constituem. Nas palavras de Susana M. Silva “A peça partiu de como o espaço é, da sua planta, da sua altura, mas também da sua relação com a escala humana. Quem a visita acaba por ser afectado pela peça.” “Square Disorder” consiste numa grelha, uma teia quadricular horizontal de cabelos artificiais que se prolongam verticalmente dos pontos em que as linhas se cruzam. A obra apresenta assim duas áreas – uma vertical outra horizontal – que interagem de forma distinta com o observador participante. A primeira, a vertical, relaciona-se directamente com o observador, fá-lo ter consciência de si próprio, do seu corpo e da sua presença nesse lugar e tempo preciso. Situa-o no “aqui e agora”.  A segunda, a horizontal, encontra-se suspensa sobre espaço de circulação do visitante na galeria. Esta superfície representará para quem ali se encontra, a constância geométrica de uma regularidade-matriz, desordenada até ao caos, na zona inferior, pelos movimentos das pessoas que participam na exposição. É a matriz que preserva a continuidade da obra. “Square Disorder”, encontra o seu lugar no conjunto do trabalho de Susana Mendes Silva. A obra questiona os espaços da arte, ao anular a neutralidade do “White Cube”. A sua instalação é presença efémera e, praticamente invisível, na galeria e a intervenção do observador constitui factor determinante na conclusão da obra. Central no trabalho da artista é o questionamento dos próprios meios de expressão. Na obra que se apresenta agora, “desmaterializa” a sua intervenção e torna perceptíveis dois outros intervenientes no processo de fruição/participação do fenómeno: o espaço físico e o observador. Susana Mendes Silva, como grande parte dos artistas contemporâneos, herdou os conceitos e vocabulários próprios do conceptualismo e minimalismo, que integrou na linguagem que desenvolve nos seus trabalhos. Nesse contexto, a artista apresenta nesta obra, para além das relações directas que estabelece com o observador participante, questões sobre os meios e espaços para a Arte – questiona a sua prática e o seu fenómeno. Ao contrário da regularidade apresentada na grelha suspensa por cima, o espaço de circulação do observador, em baixo, é um lugar onde a ordem superior tem carácter transitório e depende de uma infinidade de variáveis próprias da arbitrariedade dos movimentos de cada um dos visitantes tal como os trajectos que toda a verdadeira obra de arte possibilita ao expandir os limites dos campos de expressão. |