| By Vera Chi Lo Sa,
on 11-06-2008 20:06
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Quer se queira quer não, quer se goste quer não se goste, quer se possa ou não se possa, não há como escapar da feira de arte em Basileia. Se não vamos é um horror e por vários motivos. Durante uma semana após a feira, não se fala noutra coisa se não na feira, quem estava na feira, quem não foi à feira, o que compraram na feira e quanto gastaram na feira. Se fomos à feira temos de falar e ouvir falar da feira todos os dias, mas se não fomos, também temos de ouvir falar da feira todos os dias - e ainda nos olham de lado, como se fossemos marginais, porque não fomos à feira. É overdósico! Bom, este ano fui à Art Basel, era a 39.a edição da maior feira de arte contemporânea do mundo. E isso pareceu-me, por si só, um bom motivo. O outro é que sou tão loira como vaidosa e me sinto doida de linda depois de um spa delicioso, para Leste e mais não digo antes que se estrague. Por falar em bom: quem andava por Basel era o Brad Pitt. Não sei se estava lá para comprar – olhou com interesse aparente a peça Standing Nude, de Kiki Smith, e outra do americano Paul McCarthy – ou só para ver e ser visto, como eu, mas digo-vos caríssimas leitoras era do melhor que vi e passei por mais de 300 galerias de arte. Também lá vi o presidente do Chelsea Roman, o Abramovich, o Sheikh Saud Al-Thani, que faz parte da lista do Top 10 dos compradores mundiais de arte e logo em várias categorias particularmente em antiguidades, arte islâmica, fotografia, Impressionismo, grandes mestres, mobiliário e joalharia. Havia outros ilustres, mas nada que valesse a pena gastar os olhos mais do que alguns segundos. Na feira havia de tudo. Cinco mil obras de arte de dois mil artistas dos séculos XX e XXI, mas Basel é Basel e tal como as trufas quer se goste ou não se goste, quer se possa ou não se possa, temos de, pelo menos, experimentar – e adjectivar imenso. Se é caro é bom, e mesmo que não se goste, o melhor é comer e dizer que é o superlativo dos paladares, a iguaria. E lá andei eu de certame em certame, a ver carros todos partidos, projecções e mais projecções – parece que é moda – vídeos e mais vídeos e em que muitos não há como aguentar mais do que dois ou três minutos a ver o que nunca mais acontece, e mais a mais eu até sou loira e tudo. Damien Hirst, Francis Bacon, Tom Wesselman, Gerhard Richter e outros, muitos outros, com os quais podemos estar bem de perto, mais perto do que em qualquer museu onde há sempre alguém a tomar conta das mãos mais atrevidas. Cá de casa só quem teve direito a stand foi a nossa querida e também muito, imensamente loira, quase tão loira como eu, Cristina Guerra com uns 15 artistas, entre eles João Onofre e Rui Toscano e a Galeria Pedro Cera com os artistas Pedro Barateiro e Ricardo Valentim. Foram cinco dias extenuantes onde tal como com as trufas, nem sempre o que parecia ser um belíssimo e sofisticado menu o era, na verdade, mas qualquer outra coisa, pe’cebem? E agora já não quero mais saber dessa feira e vou é por uns discretos tampões nos ouvidos – para não ouvir galanteios cada vez menos discretos – e comer uma bela sardinhada, naquele restaurante da Linha, enquanto ainda é possível... Porque, meus caros, as coisas estão difíceis, mesmo em Basileia, onde muitos dos compradores do ano passado eram, agora, mais um entre os oito mil visitantes do primeiro dia daquela semana louca. Como me dizia a negociante de arte Marianne Boesky: “Não há um entusiasmo enorme, mas sente-se alguma solidez”. Pois… é como quem diz, isto está cada vez mais para a pelintrice! |
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