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07-Jan-2009
A revolta da pasta | Maldizer PDF Imprimir e-mail

By Vera Chi Lo Sa, on 18-06-2008 19:54

Meus queridos, isto hoje tem de ser com toda a cólidade, pois claro, mas muito rapidinho.

Desculpem lá esta pressa toda, mas tenho a inauguração da exposição “You Can’t Go Home Again” (ou, em vernáculo, ”A Revolta dos Manequins”) às 18, no Museu da Marioneta e já se sabe o que é de loucura a Linha a esta hora.

São prái uns cinquenta artistas plásticos, ou quase isso, que pegaram no tradicional boneco de madeira articulado e encheram uma galeria de figuras tornadas personagens plenas de identidade. Manequins e marionetas são parentes muito próximos, como toda a gente sabe, até os políticos e os beija-pés e por isso o museu escolhido é o local mais certo para o evento.

E isto é todo muito giro, mas eu ainda tenho de ir à Catusca arranjar cabelo e unhas!

Bom, parece que quem melhor conseguiu transformar o manequim articulado numa personagem plena de identidade foi o meu querido, e agora ainda mais querido, David de Almeida. Sim, esse gentleman, de cabelos brancos que só e em tudo lhe dão o ar seguro e de quem sabe o que não quer…

Claro que depois ninguém ouve falar dele. Até porque quando falam é baixinho, que o David é um senhor, mas não descura uma oportunidade para dizer daquelas que provocam nevralgias, otites, crises nervosas e refluxos a muita gente. E sempre com toda a elegância e a maior correcção, apanágios seus.

Pois, mais uma vez foi o que fez este cavalheiro, de uma espécie infelizmente em vias de extinção. Fez uma elegante correcção a um manequim, que só ele vale ida a Sintra. Passo a citá-lo, para não me enganar, que esta cabecinha loura está cheinha de bites e não quero enganar-me. Assim, diz o próprio David de Almeida do boneco que produziu: “Vítima de mutações identificáveis, é pouco flexível, não podendo por isso servir de modelo a ninguém, nem mesmo a um artista. Apenas consegue articular vénias ligeiras e apertar a mão a quem lhe consiga apanhar o jeito, movimentos sofríveis para situações protocolares desde o ocidente ao oriente. Apesar do seu aspecto rígido é muito frágil. Não é aconselhável obrigá-lo a mais do que o recomendado, pois corre o risco de se desintegrar.”

Ainda não entenderam a minha excitação?

Talvez não me esteja a explicar bem. Sabem? Não como praticamente nada há dois dias para caber num trapinho da Gucci, que comprei para esta ocasião... Ai, nem sei se devo dizer estas coisas! Agora já está!

Como eu devia ter dito, o boneco articulado do meu querido David, o tal que é um gentleman, tem uma legenda, em duas linhas, gravada na base. A linha da frente diz: “o primeiro”. A linha legendária de trás desmonta, ou desmanda: “ministro”.

Já entendem?

Eu bem vos dizia que este senhor sabe como dizê-las. E como fazê-las!

Uma outra notícia que me deixou aos pulos – não sei se não será também efeito dos comprimidos, para emagrecer, que comprei no Salão da Catusca e que dizem 100% alcachofra – foi a da criação de um pólo da Cinemateca no Porto.

Claro que eu acho óptimo a criação de uma Cinemateca no Porto e até já devia estar feita há muitos, mas muitos, anos! O que me deixa deveras contente foi ler um “disse que disse e que não disse, mas verão a seu tempo que disse que disse” entre João Benárd da Costa e a minha mais que tudo e loiríssima Isabel Pires de Lima.

Confesso que já estava com saudades da kriducha! A minha Zabelinha diz que no seu tempo de mulher com pasta, a da cultura, tentou desenvolver as condições para que o Porto tivesse aquele pólo da Cinemateca, nomeadamente através do lançamento da recuperação da Casa das Artes. E que a coisa nunca se veio a desenvolver devido à má vontade de Benárd da Costa. Logo, segundo a minha Zabelinha, a criação do pólo filmico-arquivista nortenho terá de passar pela saída de Bénard da Costa da presidência da dita cuja Cinemateca Nacional.

É então que entra na conversa o nosso actualíssimo e Excelentíssimo Senhor Ministro da Cultura, Sr. Dr. D. José António Pinto de Ribeiro, para afirmar que não existe qualquer obstáculo à criação de um pólo da Cinemateca no Porto, iniciativa que considerou até "muito importante". Ninguém falou do “peditório” dos estudantes universitários na Internet, que despoletou todos estes dizeres, mas prontos, é sempre assim.

Bom, com eu vos disse que disse e disse mesmo, isto hoje era muito rapidinho e com os comprimidos de alcachofra e tudo já tenho a boca seca e a minha cabecinha loira a andar á roda...Vou ver se já entro no Gucci.

Bjinhos.

   

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