plataforma virtual para a comunidade das artes plásticas e visuais
1ª Página arrow Maldizer arrow Dos putins à madre | Maldizer  
06-Jan-2009
Dos putins à madre | Maldizer PDF Imprimir e-mail

By Vera Chi Lo Sa, on 25-06-2008 21:13

Enfim! A nossa Excelência das cenas culturais deu sinal concreto da sua apalavrada política. Se bem recordam ela guarda-se em três palavras e mais uma,  “Fazer Muito com Pouco”, que proponho passem a constar do seu brasão de armas quando, em fim de mandato ou por aí, for distinguido com um título de ordem cavaleiresca. Bem, a nossa Excelência aprumou-se toda e mandou os putins à fava. Acabou-se. Também, que falta nos faz um Ermitério itinerante? Nenhuma!

Para quem não sabe, não se lembra, ou faz de conta, a primeira exposição de um pacote, muito bem empacotado, de três exposições itinerantes do Museu Hermitage em Portugal custou-nos milhão e meio de euros! Quanto iríamos pagar, em tempo de vacas no pelo, pelas outras duas?

Olha, olha a que porta foram os russos bater...

Já todos sabemos que o nosso deveras Excelentíssimo Ministro da Cultura é fã do Tio Patinhas, tralala e pipipi. E não é nada dele gastar outros tantos ou mais milhões de euros com quem, ainda por cima, não só não é da casa como anda a exportar gás e petróleo com o mesmo instinto fatal de quem antes exportava kalashnikoves...

Eu sempre adorei a forretismo do Tio Patinhas. Ou a forretice, se quiserem. Ou a sovinice, para me ficar no Português do antes do que por aí vem com o Acordo.

O que saiu nos jornais sobre este assunto do Ermitério itinerante remete a decisão para o dono da coisa e, ao mesmo tempo, cancela a exposição a inaugurar este ano no Museu Soares dos Reis. Ora, ora, logo no Porto… Aquela boa gente não usa a bitola de Lisboa, electricidade mais barata, pontes sem portagem, um Rui do Rio pra baixo, um Serralves pra cima, uma Casa da Música meio bêbeda, quer dizer, acima e abaixo… aquela boa gente já deu para esses ermitérios, tem é o seu S. João e prontos, penso eu, loira assumida.

Como disse o nosso Excelentíssimo D. António de Pinto Ribeiro, a hipótese de uma exposição em 2009 continua em aberto. Para um diplomata de cinco costados como ele, importa sempre ter alguma coisa em aberto em casos em que se aplique a história do “quem vier a seguir que feche a porta…” Por isso mesmo disse, repare-se no tempo verbal, com a maior das sagacidades: "Há um protocolo de intenções e nós verificamos se esse protocolo é susceptível de ser cumprido ou não". Brilhante! E sublinhou que o assunto será avaliado à medida que o Hermitage estiver disponível para o executar. Noutra ocasião, que segue quase imediatamente nestes dizeres, disse ele aos jornalistas uma coisa ainda mais linda, nem sei se não a vou mandar bordar em ponto de cruz e por debaixo da televisão: “ A cultura é transversal, atravessa todas as actividades humanas”. Ai, gosto tanto quando ele diz estas coisas novíssimas e palavras como “estruturantes” e “indústrias criativas”. Estas exuberâncias articulantes, no aurorear da falácia multiforme, impregnam-me todíssima de portfólios vivificadores.

Cá p`ra mim, que sou loira e mandei o meu neuroniozinho de férias, a ver se se torrava mais um pouco, o que ali está dito nas aos ex-quêgêbês nas entrelinhas é muito simples. Se querem vir exibir-se para nós, que paguem. O tempo dessas grandezas acabou-se para nós com D. João V e para eles com a Catarina. Se querem, que executem.Tá?

Como já devem ter reparado, euzinha, tal como a Dr.ª Manuela Ferreira Leite, a autora deste espalhafato, “falo tudo durante as linhas”, que essa mania das entrelinhas me maça muito a cabeça, já basta o que basta, há tanto em o que pensar… Mas p'rós russos e cá por coisas tanto me faz.

Onde eu não estou mesmo nessa, minha querida excelência ministerial da Cultura, é quando mostra as disponibilidades do Governo para trabalhar na preservação e restauro dos bens culturais da Igreja católica. Este Governo já anda, através dos seus agentes, a mostrar muita coisa, mesmo demais. E eu bem que desconfiei logo… Mais cedo que mais tarde, currículo lido e compreendido, havia de dar nisto.

E o “nisto” é: apesar das dificuldades financeiras, "devemos todos fazer um esforço na preservação deste património histórico e cultural" da santa madre. Quais dificuldades financeiras? Que as há lá isso há, e muitas e cada vez mais, nesta terra de que ainda ninguém entendeu razão de existir. Mas a Igreja católica não padece dessa doença: só aquele aberrante santuário em Fátima vai ascender os 80 milhões de euros. Esclareçam-me sff: a história do herói medievo e florestal que deu pelo ápodo de Robin dos Bosques, era tirar aos pobres para dar aos ricos?

Parece-me que fica bem fechar este humilde escorço congratulando o Museu Berardo, que cumpriu um ano a dia 25 de Junho e o meu queriducho JB. Como ele próprio disse: "Numa altura em que a economia portuguesa atravessa um momento difícil, dar entrada livre às pessoas foi uma ideia da qual o conselho de administração [da Fundação Berardo] não se arrependeu". E ainda acrescentou: "A minha intenção foi de partilhar estas obras de arte com os portugueses, levar a cultura ao povo em geral".

É mesmo um mãos largas, o meu Berardozinho. Está aqui, está a abrir os cofres do BCP aos pobres…

P.S. que não é desse, cruzes canhoto, três pancadas na madeira: Desculpem a intrusão de algum léxico avançado, resultante da leitura das ministeriais palavras. Queira-se ou não, a coisa pega-se…

   

Users' Comments  
 

Average user rating

 


Add your comment
Only registered users can comment an article. Please login or register.

No comment posted



mXcomment 1.0.5 © 2007-2009 - visualclinic.fr
License Creative Commons - Some rights reserved
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >