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06-Jan-2009
Hoje era dia e eu não ria | PERPLEXIDADES PDF Imprimir e-mail

By Risoleta da Conceição Pinto Pedro, on 03-07-2008 21:07

Ou de como uma pintura (se) transforma (n)o nosso olhar
diálogo roubado a uma exposição
MOMENTOS, Laura Galvão

Uma pintura. Dois rostos. Uma alma. Três olhares. Luz e sombra. Da terra ao céu e da direita para a esquerda ou como nos sonhos, onde o olhar se projecta em espelho. Às vezes, o espelho não enfrenta o espelho, mergulha em algodão de nuvem e tinta e flutua na imaginação do terceiro olhar de quem vê.

- Ó mãe, a menina do lado direito é mais menina e mais escura e tem mais medo.

- Ou… ameaça menos?

- Ah… quem ameaça?

- A outra.

- De onde lhe vem a ameaça?

- Da fortaleza da boca, das chispas do olhar…

- Onde eu vejo determinação…

- Vês bem, continua.

- A menina do lado do dia coloca-se, qual sentinela ou guarda do templo, ao lado da dor…

- Da cor?

- … da dor. Sim, da cor.

- Por que o faz?

- Ela diz: “Ilumina-me, sombra, a luz. Nunca mais nada nem ninguém te trará mágoa. A mim o juro”. Mãe, mãe!

- Sim, meu amor…

- Olha, olha… a da cor!

- Que vês?

- A menina cor de terra!…

- A da guerra?

- Essa… o olhar… há momentos… estava o medo, não o vejo já, pressinto…

 

Aqui quase se lhe oculta a voz:

 

- … um segredo! Mãe, quero entrar…

- Onde, amor?

- Na cor, no olhar…

 

www.risocordetejo.blogspot.com 

 

   

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