| By Vera Chi Lo Sa,
on 10-07-2008 01:04
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Se esperam que eu vá falar de infantes o melhor é acomodarem-se muito bem na cadeira, pois não vou perder o meu precioso tempo com “infantisses” ou lá o que é isso. Birra é birra, não se liga e o motivo desta até já está esclarecido. Todos os paizinhos sabem que o mal é ceder à primeira birra. Perde-se o controlo e depois nada a faz parar. A birra só termina quando se dá ao monstrinho aquilo que quer. Este infantinho não quer um chupa nem uma bola nova, que já está muito grande para isso. O que ele quer é o Teatro Nacional D. Maria II. Quer e prontos. E vão dar-lho! Nem que para isso tenham de arrancar de lá Carlos Fragateiro, o actual director, muito antes de terminar o seu contrato, lá para 2010. É que ninguém aguenta dois anos de berreiro pegado e desatado. Resumindo e esclarecendo: não fica bem, nem aos mais pequenos, sair numa semana nos jornais “Diogo Infante demitiu-se da direcção artística do Maria Matos, por falta de meios financeiros” e logo na semana seguinte ler-se que o “Governo deverá demitir direcção do teatro nacional e nomear Diogo Infante”. Desconfio que para a próxima o Infante vai querer um teatro na Broadway, o que será maneira airosa de o país se ver livre de tanta prosápia e de lhe acontecer o que devia ter acontecido logo à primeira birra: ninguém lhe ligar népia, peva, niente de niente... Bem! Tinha dito que não falava de infantilidades e já estou a escorregar com os meus Fly novíssimos e em riscos de os sujar. Aqui para nós, confesso que eu era pessoa para fazer uma boa birra só para voltar a ter 18 aninhos e não seria para ir estudar como veio dizer a nossa, que é dos outros, Paula Rego. É assim mesmo, a pintora agora doutorada “honoris causa” pelo Royal College of Art, na ocasião disse que gostaria de voltar aos seus 18 anos para regressar aos estudos e frequentar a universidade britânica Royal College of Art, em vez da Slade School of Art, para onde foi, há mais de 50 anos, acabada de atingir a maioridade. A velha e querida senhora sempre me pareceu viver numa realidade algo virtual, mas tanto assim, nunca pensei! Quem é que quer ter 18 anos para voltar a estudar? Nem eu, que sou loira! Voltava a ter 18 anos, isso sim, para ir a um InterRail, viver à conta dos pais e, já agora, aguentar a pé firme o “non stop” do Museu Colecção Berardo, que comemorou o primeiro aniversário com 24 horas seguidas de dança, teatro e música. Claro que estive na festa do JB e até ajudei a apagar as velas, mas já não aguento um “non stop” em cima de duas agulhas. A propósito de infantes e de poder voltar a trás no tempo, também vos vou dizer onde estive ontem. Fui ao lançamento do novo livro de poesia de Manuel Alegre. Segundo o prestigiado autor, o livro é uma reflexão sobre a História – a passada e a presente – e sobre a vida: a do Infante D. Pedro, morto na batalha de Alfarrobeira (1449) e a do próprio Manuel Alegre. O livro chama-se “ Sete Partidas”. Assim de repente não consigo contar sete partidas feitas ao deputado socialista e ex-candidato presidencial. Mais de sete contei eu de algumas das muitas feitas por ele. Ou se calhar não é destas partidas que se trata, mas ninguém me explicou e não vi lá o meu querido e adiposo educador, o acessório do assessor. O que eu percebi muito bem é que Manuel Alegre defende que o rumo social e político de Portugal teria sido bem outro se o bom do Infante D. Pedro, alevantado em armas contra o seu papá e rei, não tivesse morrido daquela birra. Eu não duvido. Como não duvido que o destino do planeta Terra teria sido bem outro se um meteorito não tivesse dado cabo da vida aos dinossáurios… |