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29-Ago-2008
obsessões e idiossincrasias de Willem Oorebeek PDF Imprimir e-mail

By Miguel Wandschneider, on 13-07-2008 22:14

Esta exposição propõe-se desvendar o trabalho de Willem Oorebeek (Pernis, Holanda, 1953), o universo de obsessões e idiossincrasias que lhe é intrínseco, através de uma selecção de obras produzidas desde 1987. Não tendo qualquer pretensão antológica, e muito menos retrospectiva, a exposição desvincula-se de um critério cronológico, procurando restituir nas suas múltiplas ramificações uma trajectória artística complexa ao longo da qual certas questões e preocupações ressurgem constantemente.

Nos últimos anos, a prática artística de Oorebeek incidiu quase exclusivamente na série de obras BLACKOUT. O artista começa por seleccionar pedaços de material impresso que circulam no domínio público da comunicação de massas com base em critérios eminentemente subjectivos – de atracção, afeição ou afinidade. Depois, com a prensa litográfica que tem no seu atelier, imprime sobre cada uma dessas imagens uma camada de tinta negra. São imagens fortemente codificadas, aquelas de que se apropria, pertencentes a um regime de reprodução massiva e repetição incessante, caracterizadas pelo excesso de visibilidade, condenadas à acelerada obsolescência. Oorebeek parece decretar a sua morte, mas na realidade resgata-as do seu destino inexorável: o desaparecimento. E o que pode ser entendido como um acto de apagamento é simultaneamente um processo de sublimação. As imagens prestam-se agora a uma percepção lenta e a uma atenção concentrada, em tudo contrárias às lógicas de sedução e eficácia da indústria da comunicação de massas e ao consumo instantâneo e distraído das imagens (e das mensagens) na vida de todos os dias.

A inclusão nesta exposição de muitas outras obras para além das que constituem a série BLACKOUT permite compreender em que medida o trabalho de Oorebeek emerge de um fascínio pela omnipresença e os diferentes usos da imagem e do texto impressos na sociedade contemporânea. A escolha dos meios de impressão para a realização do seu trabalho – sendo de sublinhar, a este respeito, a notável exploração do processo material de impressão litográfica – revela-se assim instrumental não só por relação com o assunto das obras, mas também para explorar questões que desde sempre lhe interessaram como as da reprodução, repetição, autoria e originalidade. Considerando que o trabalho de Willem Oorebeek oferece uma reflexão tão subtil quanto incisiva acerca da autoria e originalidade da obra de arte, não é de admirar que o artista tenha querido envolver a participação de outros artistas: Koenraad Dedobbeleer, Christoph Fink, Rita McBride, Asier Mendizabal, Imogen Stidworthy e Joëlle Tuerlinckx. A exposição surge assim enriquecida com outras obras que, na sua maioria, resultaram da colaboração entre Oorebeek e esses artistas.

   

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