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29-Ago-2008
Abrigos PDF Imprimir e-mail

By Rita Santos, on 15-07-2008 12:19



A obra "Abrigos", de Conceição Abreu, patente na estufa circular da Tapada das Necessidades, apresenta uma proposta que intervém sobre a comunhão entre estrutura e simbologia, partindo do conceito de casa.

A intervenção foi idealmente concebida como objecto de estreita correlação do ponto de vista arquitectónico e da edificação física que se pode estabelecer entre casa e estufa, em termos de função essencial; a delimitação de espaços e a criação conceptual de um refúgio vital para os conteúdos abrigados constituem fundações basilares deste projecto que prevê a protecção das existências num sentido amplo, como aliás refere a artista, “defendendo assim o que está contido, de elementos adversos ao seu crescimento e vivências”. Ao admitir a separação de mundos, o exposto e o protegido, também eles referentes ao âmbito emocional e espiritual, não se desconecta a ligação que os mesmos têm entre si, em esferas de dicotomia empírica como o vazio/habitado, o público/privado, o exterior/interior. Cada uma destas esferas vive em si e só existe mediante a existência da outra actuando numa relação que as transforma preferencialmente em espaços de trocas e transferências.

 A escolha do exterior natural, transposto depois para o campo da interioridade existencial, tem evidenciado o trabalho de Conceição Abreu como suporte de observação e posterior intervenção artística. Nas suas exposições individuais anteriores, essa proximidade temática e conceptual encontrava-se já em rumo permanecendo interligada à contínua exploração de espaços que se estabelecem pelo ritmo e pela ambiguidade de sentidos. As suas obras têm revelado, ainda, que essa aproximação à essência das coisas e das emoções constitui um desafio pessoal que, inclusivé, coloca de lado a perspectiva temática de urbanidade.

Conceição Abreu (Sintra, 1961) hoje vive e trabalha em Madrid.

Em 1989 termina a Escola Superior de Dança e em 1998 conclui a sua formação em Pintura na escola Ar.Co, onde em 2000 termina o seu projecto individual também em Pintura.

Em 2003 realiza a sua segunda exposição individual na Galeria Diferença em Lisboa. Entre 1997 e 2006 a artista participou em exposições colectivas no contexto das actividades desenvolvidas no Ar.Co. E entre 2001 e 2006 incluiu também exposições colectivas realizadas na Galeria Diferença, em Lisboa. A artista é representada pela Caroline Pagès Gallery em Lisboa, onde realizou a sua primeira exposição individual em 2007.

As suas obras estão inseridas em diversas colecções privadas em Portugal e no estrangeiro.


   

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