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29-Ago-2008
“Vieria da Silva, Arpad Szenes e o Castelo Surrealista” PDF Imprimir e-mail

By João Pinharanda, on 15-07-2008 23:59


 A exposição “Vieira da Silva, Arpad Szenes e o Castelo Surrealista” está patente ao público até 28 de Setembro no Museu da Electricidade, em Lisboa. Sobre a mostra publica-se o texto do comissário João Pinharanda.

A exposição mostra-nos um vasto conjunto de trabalhos da autoria de Arpad, onde o artista se representa com Vieira da Silva, num conjunto conhecido pelo título genérico de "Le Couple". Apresentamos ainda um pequeno conjunto de outras obras, quer de Arpad (sempre retratando Vieira da Silva) quer desta, retratando ou referenciando Arpad. Finalmente, imagens fotográficas do casal em dois tempos distintos (anos de 1940 e 1980) e objectos do atelier de Vieira completam a exposição.

No vasto conjunto "Le Couple", de que apresentam todos os exemplares integrantes da colecção da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, é menos importante a verosimilhança física entre as figuras e os modelos, a vontade de realizar um "duplo retrato" realistíco; e mais significativo o valor simbólico da representação do casal (como par amoroso e como pintores). A representação da sua união espiritual e física conduz à fusão formal dos corpos entre si e dos corpos com os espaços (salas, portas), os adereços de atelier e de trabalho (mesas, cadeiras, copos/jarras…).

As palavras de Mário Cesariny, que acompanham esta exposição, nasceram da sua tentativa de entendimento radicalmente poético da ligação entre Arpad e Vieira. São palavras retiradas da obra Vieira da Silva, Arpad Szenes ou o Castelo Surrealista e de alguma correspondência que trocou com os artistas e à qual ambos responderam.

Em Arpad e Vieira encontrou Cesariny um exemplar caso "Amour Fou", transformado em modo de entender a vida-obra de ambos, justificando o conteúdo e o nome Surrealista do Castelo que inventou para eles viverem e trabalharem.

O conjunto exposto (obras de ambos os artistas, objectos que ocuparam os seus ateliers e fotografias onde também se reúnem, palavras do poeta) constituem um exercício raro de desmultiplicação lógica e onírica, de fusão, física e alquímica que agora podemos partilhar.


   

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