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29-Ago-2008
Serpentine Gallery PDF Imprimir e-mail

By Cláudia Melo*, on 16-07-2008 23:19


 Chegou a vez de Gehry. Depois de Olafur Eliasson e Kjetil Thorsen (2007), Rem Koolhaas (2006) Siza Vieira e Souto Moura (2005), MRVD (2004), Oscar Nyemeier(2003), Toyo Ito (2002), Daniel Liebskind (2001) e Zaha Adid (2000) é a vez do quase octogenário arquitecto projectar em solo inglês aquele que é considerado um dos grandes acontecimentos arquitectónicos mundiais, o Pavilhão de Verão da Galeria Serpentine.

Trata-se de uma iniciativa anual e única no mundo: arquitectos famosos e que até à data não tenham obra em solo inglês são convidados a projectar um pavilhão temporário que permanece no Verão no Hyde Park, nos Jardins de Kensington, ao lado da Galeria Serpentine. Finda a exposição, o pavilhão é desmontado, posto à venda e reconstruído noutro local.

 O conceito do Pavilhão de Verão é promover uma exposição de arquitectura com um objecto real, que despolete pensamentos e debates, além de albergar eventos que a Galeria Serpentine não possa comportar. O Pavilhão funciona durante o dia como café e à noite acolhe debates, exibição de filmes e concertos. Tal como acontece nas obras de artes plásticas exibidas pela Serpentine, pretende-se que o pavilhão seja inovador e aponte novos caminhos à arquitectura.

Este ano, o pavilhão de Gehry afirma-se como um objecto multidimensional, feito de formas e planos em madeira e vidro com uma geometria complexa. Para obter estes efeitos,  o arquitecto canadiano, foi buscar inspiração às catapultas ( mecanismos de guerra que utilizam um braço para lançar um objecto à uma grande distância) desenhas por Leonardo da Vinci no século XV e às estruturas de madeira das cabanas de praia. E contou com a colaboração com Cecil Balman, engenheiro civil da Ove Arup + Partners e um dos grandes especialistas mundiais em estruturas.

A ideia de Gehry é de conseguir uma estrutura que funcione tanto de dia como de noite e que seja parcialmente anfiteatro e passeio. Com uma linguagem aparentemente caótica, as formas propostas têm uma razão funcional, que o arquitecto decano explica detalhadamente: “O Pavilhão foi desenhado como uma estrutura de madeira que funciona como rua urbana que sai do parque para a galeria existente. No interior do Pavilhão, pérgolas de vidro suspensas da estrutura de madeira protegem o interior da chuva e vento e criam sombra nos dias soalheiros. O pavilhão funciona muito como anfiteatro, desenhado para servir para eventos ao ar livre, como música, actuação, discussão e debate. À medida que o visitante caminha pelo Pavilhão, vai tendo acesso a bancos de ambos os lados da “rua urbana”. Em complemento, existem cinco grandes plataformas de estar, as quais se acedem através do perímetro do pavilhão. Estas plataformas rematam a rua urbana e podem servir de palco, zonas privadas de visionamento e áreas de jantar.” A estrutura de Gehry cria um enorme contraste com a Galeria existente, situada numa antiga Casa de Chá Neo-Clássica construída em 1934 e adaptada às funções artísticas em 1998.

A Serpentine é actualmente uma das galerias de Arte mais populares de Londres. Criada em 1970 por The Arts Council of Great Britain, é a única galeria pública inglesa que mantém entrada livre para exposições de arte e arquitectura. Organiza cerca de 5 exposições de arte por ano, e desde 2000, a encomenda anual de arquitectura para o Pavilhão de Verão.

 

Materiais:Pilares em ferro; Estrutura de madeira e ferro assimétrica; Planos de vidro transparente e fosco sobrepostos.

Cliente: Serpentine Gallery

Previsão de conclusão:Final de Julho de 2008

Previsão de custo: não indicado

ABC (área bruta de construção):não indicado

Atelier:Gehry and Partners

Nascido no Canadá em 1929 e com atelier em Los Angels desde 1962, Frank Gehry é actualmente um dos mais aclamados arquitectos do mundo. Com uma vasta obra espalhada pelo mundo, Gehry criou “ícones” urbanos e arquitectónicos como o Museu Guggenheim em Bilbau, o Vitra Design Museum, em  Weil am Rhein ou o Walt Disney Concert Hall em Los Angeles. Recebeu todos os prémios importantes de Arquitectura, como o Pritzker, Praemium Imperiale Award, Medalha de Ouro do RIBA ou o American Institute of Architect.

*Artigo publicado no DN no dia 13 de Julho 


   

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