| By Nuno Cunha,
on 21-07-2008 16:06
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Miguel Palma é hoje um artista internacionalmente conhecido. Há alguns anos as televisões portuguesas mostravam-no com o seu projecto “Aríete” - um Porsche azul com um pedaço de avião no tejadilho - pronto para uma viagem pela Europa, até aos principais Museus e Centros Culturais. Emigrou temporariamente porque não quer mostrar o trabalho só no seu bairro, como ele próprio o disse.
Hoje, tem programadas diversas exposições individuais e colectivas, nacionais e internacionais: nas colectivas do MoMA de Nova Iorque, actualmente a decorrer, da Boltax Gallery Shelter Island, Nova Iorque, a partir de 30 de Agosto, do Museu Berardo, em 22 de Setembro, e no Porto, Reino Unido, Irlanda, Polónia, França, Nova Orleães, EUA, só para falar até ao final do corrente ano. Tem também previstas para este ano exposições individuais na 102-100 Galeria de Arte, em Castelo Branco, na Sala Bocage, Museu de História Natural, em Lisboa, ambas a decorrer, na Baginski Galeria Projectos, Lisboa, a 18 de Setembro, e no Museu do Caramulo, a 6 de Setembro. No seu trabalho levanta questões relacionadas com o lugar e o estado da arte, significados e valores, e até com o estado do mundo. São questões muito antigas para si? Comecei a trabalhar esse tipo de temas talvez em 95. Na altura em fiz uma peça intitulada “Ecossistema”, onde desenvolvi esse tipo de preocupações. Ao mesmo tempo, desenvolvi alguns conhecimentos empíricos que, sem ser engenheiro nem cientista, me interessavam, e com o recurso a determinados mecanismos construi “lay-outs” de maquetas ficcionadas. Ao fim destes 13 anos, mantem o mesmo tipo de questões que levanta sobre o estado do mundo? Concretamente, em relação a esta peça que estamos a falar, estou convencido que, se não a tivesse feito há 13 anos, se não soubesse da sua existência nem tivesse pensado nela, era um trabalho que poderia fazer agora, porque era actual. Cada vez mais, nós somos seres conscientes e responsáveis por tudo o que está em causa. Eu tenho um fascínio por máquinas, mas isso não significa que queira a mais forte e poluente do mundo. Essa consciência vai desenvolver-se cada vez mais, porque vamos sentindo na pele os efeitos do que fazemos. Como artista, não posso deixar de falar do que me preocupa e faço-o duma forma irónica, por vezes com uma aparência leviana e brincalhona, mas para reflectir uma preocupação com algo que me faz pensar. Pensa que a arte, de um modo geral, está atenta a esse tipo de questões? Hoje há um maior número de artistas com trabalho que passa por este tipo de preocupações, mas talvez seja relativamente recente. Nota-se que estas questões interessam cada vez mais pessoas e, inclusivamente, vou participar numa exposição em França, em Villa Arson, onde o assunto se relaciona com o ambiente. Vê o seu trabalho como uma arte de intervenção? Eu diria que, muitas vezes, passa pela provocação. A título de exemplo, vou fazer uma exposição no Museu de História Natural. Há um condomínio previsto que afectará o Jardim Botânico e, em breve, deixará de fazer sentido termos o Museu tal como ele é. A minha intervenção, no dia 10 de Julho, é um trabalho que fala do poder de quem decide: de ligar, desligar, ou acabar com as coisas. É um trabalho que tem uma grande carga de provocação, porque é um trabalho agressivo. |
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