| By Risoleta da Conceição Pinto Pedro,
on 11-08-2008 12:28
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... ou brincar com a arte O mérito do artista é perpetuar a infância no mundo, é regar e revivescer a vida, rejuvenescer o mundo, enchê-lo de inocência, porque ele mostra como é possível crescer e continuar. Muito a sério. A brincar.
Visitei há uns tempos uma exposição sobre a arte de José Miguel Ribeiro. Formado em Artes Plásticas – Pintura. Tem trabalhado como ilustrador e realizador de cinema de animação. Realizou curtas-metragens, entre as quais O Ovo, O banquete da Rainha, e em 1999, A Suspeita, com a qual receberia o Cartoon d’Or 2000. Mais recentemente realizou uma série de 26 episódios para crianças intitulada As coisas lá de casa e a curta-metragem Abraço do vento. Observei os desenhos das suas maquetas e as próprias maquetas e uma antiga e boa emoção me transportou a outro mundo: recuei, recuei, recuei, até um antigo quintal onde eu brincava com o que existia na natureza. De pequenos ramos fazia árvores, decorava o chão com folhas e assim criava um chão sobre o chão, não o chão do Grande Jardineiro, por alguns chamado Criador, mas o chão por mim criado. E tinha um jardim. Procurava pequenas formas antropomórficas e vestia-as com folhas ou restos de tecidos, assim criava as minhas personagens, construía os meus cenários e figurantes. O meu mundo. Que ainda existe, é um mundo intemporal, eterno e real. O impossível tornado possível. Como um dia ouvi dizer “tudo é possível desde que seja concretizável”. Este mundo foi concretizável, logo, é possível. Hoje, quando tento criar com tintas ou com formas, esbarro numa crença que não é seguramente a da infância, porque nessa altura nem me passava pela cabeça que não poderia ou não saberia criar. Passei então a desenhar com palavras as cenas, os cenários das folhas, dos raminhos de jardim. E nunca duvido que consigo criá-los. As suas histórias são para mim uma evidência como aquelas antigas maquetas o eram. Inquestionável. Para lá de qualquer reflexão. Eram, são. Apenas. Com todo o poder e a força de algo que não sofre interrogações nem dúvidas. Como o sol nasce, assim se cria. Recordo agora as foto da altura. Vejo uma misteriosa imagem por trás. O perfil de uma menina que olha fascinada o antigo jardim aqui actualizado e trazido ao presente pelo artista Não sei qual é o processo de criação de José Miguel Ribeiro, mas seja qual for, a sua obra é a demonstração daquilo que venho aqui dizer hoje, e repito: O mérito do artista é perpetuar a infância no mundo, é regar e revivescer a vida, rejuvenescer o mundo, enchê-lo de inocência, porque ele mostra como é possível crescer e continuar. Muito a sério. A brincar. www.risocordetejo.blogspot.com |
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