| By Vera Chi Lo Sa,
on 22-08-2008 00:11
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É como vos digo. Neste paraíso, à sombra de palmeiras e rodeada por areia branca, não me apetece de todo dizer mal de ninguém nem de coisa alguma e muito menos trabalhar. Grande maldade esta! Nas Maldivas a banhos e ter de me esgotar quase tanto como as jamaicanas olímpicas com asas nos pés (já agora, os jamaicanos também). Não sei se é reflexo da crise ou da cor do meu cabelo, mas também não me apetece pensar no assunto, não é este o lugar indicado. O trabalho liberta, ao que ouvi dizer, mas ninguém me diz a quem é que liberta e de quê… Parece-me um desses anúncios da Shell sobre o ambiente. Pronto, pronto, pronto, lá vou eu, mesmo sem vontade, que as jamaicanas olímpicas deram-me uma ideia que trago aqui à consideração da excelência do costume: vamos nacionalizar a Luise Bourgeois, e o Anish Kapoor, e o Caspar David Friedrich, também. Se é possível fazê-lo no desporto, olímpico ainda por cima, porque não também na Arte, como os ingleses fizeram à socapa com a Paula Rego? Assim talvez nos fosse possível ganhar alguns recordes em leilões internacionais. É que vi em Pequim um sueco lindo de carapinha, uns bahreineses, ou lá como é que se chamam os desse estado petroleiro, que nasceram e cresceram no Marrocos e na Etiópia, um francês igual ao sueco e isto para não falar da prata da casa que nos deu ouro e não marfim, a costa onde viu a luz. Só falo nestes casos olímpicos, que eles são tantos como as lojas chinesas, para abono da minha ideia. A CGD, que está em todas, podia avançar com uns empréstimos a juro baixo e a coisa fazia-se com um retorno a 100 por cento ou mais. Que acha Sua Excelência o Ministro da Cultura? O que eu acho, por outro lado, é que já chegou a altura de desocupar o Centro Cultural de Belém e reentregá-lo a quem de direito, isto é, a nós, os artistas e a nós cidadãos até mais ver deste país plantado à esquina do planeta (na expressão do historiógrafo José Hermano Saraiva, já aqui citada). Adoro, adoro, adoro o meu krido JB, e perco-me toda na adoração da sua colecção de arte contemporânea, mas já lá está há um ano e de borla e quem não a viu é porque não quer mesmo vê-la. Ali ao lado há um edifício mesmo a pedi-las, o do falecido Museu de Arte Popular – se não faleceu tá a caminho que dele não se ouve nem cochicho – onde os tarecos milionários do Berardo ficam a matar. É só uma sugerência estruturante. Afinal, pensando bem mesmo nas Maldivas – não digo Malvinas aqui porque os ingleses não gostam… – o CCB é só o maior edifício com equipamento cultural do País e não me parece que a colecção maravilha do meu kriducho represente a cultura portuguesa, mesmo a “pop”. A outra sugestão estruturante fica mais carota, mas vai sendo tempo de a começar a pôr em prática, antes que substitua as famosas obras de Santa Engrácia: a construção dos módulos IV e V do CCB, que completam o projecto original e parada há mais de 15 anos. Está a aguardar a apreciação do socrático conselho de ministros há mais que um ror de tempo. Um dos módulos contém um auditório de 600 lugares. Mesmo que a restante construção venha a ser um hotel e um centro comercial, como se murmura pelos corredores, ainda ficamos nós a ganhar. No caso do meu Joezinho não querer levar as suas contemporaneidades para o Museu de Arte Pop ali ao lado, podia aproveitar-se a área das garagens de uns dos módulos como centro de exposições. Ao menos sempre era alguma coisa, penso eu… Mas não passo de uma turista a torrar nas praias das Maldivas. E agora já chega pois está na hora de ir dar um mergulhinho. |
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