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09-Fev-2012
Arquitectura para a inclusão PDF Imprimir e-mail

By Claudia Melo, on 30-09-2008 07:16

 Destinada a populações vulneráveis, como portadores de deficiência, grávidas, crianças e idosos, a série de apoios a Banhos de Mar e de Rio são da autoria de Carlos Mourão Pereira, que perdeu a visão há 2 anos. Após sentir necessidade de infra-estruturas que permitissem tomar banhos de mar e de rio a invisuais, o arquitecto desenvolveu um projecto para a praia de Paimogo, na Lourinhã, que se tornou o embrião de outros três projectos de características semelhantes na Suiça, Itália e Eslovénia.

Todos os projectos procuram “…uma intervenção mínima no espaço natural, de modo a permitir a adequação a exigências de inclusividade e sustentabilidade…” conta o arquitecto. Recorrendo a simples instalações arquitectónicas, é possível autonomia e acesso no espaço hídrico natural, considerado vulnerável para os mais fragilizados, especialmente os deficientes visuais. Para esta faixa da população, a principal estratégia para a orientação consiste num corrimão que incorpora informação táctil sobre o estado da água, das plantas aquáticas, etc.

Do ponto de vista sensorial, o projecto procura enfatizar a percepção acústica, olfactiva e táctil do lugar, graças à possibilidade de permanência num estado de quase total imersão de uma forma segura cujo apoio são bancos dentro de água.

 Apesar do público-alvo destes projectos ser a população mais fragilizada, procurou-se também alargar a sua abrangência a todos os outros utilizadores, através de um programa funcional inclusivo de exposição de conteúdos de botânica aquática, procurando-se uma apropriação inter-geracional análoga à de um jardim.

Esta solução permite um “…enquadramento dinamizador no âmbito do Turismo, possibilitando uma optimização do conforto e segurança em áreas balneares existentes, bem como desenvolvendo outros espaços sem essas características, mas com potencialidade balnear…” conta Carlos Tomás Mourão, que neste âmbito desenvolveu soluções tipo para praias marítimas (Portugal e Itália) e fluviais (Suiça e Eslovénia).  Tanto a construção, como durabilidade e manutenção, tiveram em conta premissas ambientais: as soluções marítimas são materializadas em betão reciclado, o que permite adaptabilidade a pré-existências, como no caso da Lourinhã, em que é requalificado um viveiro abandonado. Nas soluções fluviais, o material utilizado é a madeira, proveniente de plantio sustentável, o que permite instalações desmontáveis. “Em todas as situações referidas a reciclagem da água é natural, aproveitando a energia hidro-dinâmica inerente a cada lugar, marés e ondas no caso do Atlântico, apenas as ondas no que se refere ao Mediterrâneo e as correntes fluviais no caso dos rios Krki e Reno….” conclui o arquitecto.


   

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