| By Cristina Ataide e Fátima Lambert,
on 10-10-2008 20:54
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Cristina Ataíde expõe “Inward” no Centro Cultural São Lourenço em Almancil, de 11 de Outubro a 11 de Dezembro. A mostra distribuída por cinco salas exibe séries diferentes, entre elas “Cleaning the Earth” sobre a qual se publica uma anotação da artista. O texto que Fátima Lambert escreveu para a exposição segue-se-lhe.
Cleaning the Earth Todos os dias, no terreno da Maria Lino, arranco giestas. Giestas cinzentas que dão flor branca e giestas verdes que dão flores amarelas. É uma planta infestante que se não for tirada invade os terrenos, facilitando a propagação dos incêndios. Numa das ruas que saem da aldeia, Feital, apanho do chão, objectos que já perderam a sua função e aguardam que a terra os volte a incorporar. Voltará? Em ambos os casos catalogo-os, anoto o local e data da recolha. Desenho-os. Cleaning the Earth. Como poderemos limpar a Terra? Com que desenhos com que escrita? Cristina Ataide, Feital 18.9.2007 A obra de Cristina Ataide acentua a ambiguidade conceptual do sujeito/corpo: objecto/símbolo e atributo: ambiente/instalação/site specific…. relacionando termos e situações presentes nas problemáticas estéticas. A autora questiona e decide, quando aborda a obra como unidade e quando direcciona works in project. Tais pressupostos exigem-lhe demoradas pesquisas e colecta de elementos, retomam e absolvem-se incessantemente, atravessando diversidades referenciais na sua obra. Os trabalhos de escultura revelam uma preocupação remanescente quanto à intencionalidade e sua concretização, articulando morfologias estipuladas, matérias naturais e paisagísticas efectivas, significações de pseudo-ausência semântica e inscrições de peças in situ. A relação vigente entre as unidades-peças que integram as diferentes séries desenvolvidas, é sempre intensificada por conteúdos simbólicos, narrativos e intimistas. Seja para colocação em paredes, no solo, em espaços museológicos ou intervenções na paisagem, a definição específica é condicionada pelas dominantes antropológica e societária: é prolongada através da incidência pessoalizada, estimulando o desenho auto-gnósico no espaço/ambiente. Os objectos orientam um distanciamento (de valor interno) ou aproximações localizadas (de valor externalizador) de acordo com o estudo exigido para cada projecto. A atitude de quem contemple as suas concretizações, na galeria ou espaço destinado, constata a presentificação, a adaptação, a assunção, por paradoxal que seja. A persistência com que a autora se documenta é incorporada nas peças – isoladas ou concatenadas em rotinas estéticas vividas; evidencia a certeza meditada quanto às problemáticas da escultura, tridimensionalidade e/ou plurivalidação de produtos bidimensionais – desenhos e fotografias – olhados enquanto uno ou todo da obra. O jogo estabelecido entre passagens interior/exterior/interior, entre as listagens/registos e as matérias, revela a acuidade de fechamento ou disponibilização de sentido subjectivado e gregário, mediante a acuidade da percepção visual do olfacto e da tactilidade reactivada nos outros. Fátima Lambert |
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