| By Alexandra do Carmo,
on 10-10-2008 22:32
|
Sobre a mostra “Office/Commercial” de Alexandra do Carmo patente até 25 de Outubro na galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea publica-se um texto da artista.
O projecto Office/Commercial é um trabalho documental sobre a transformação dos espaços anteriormente destinados à manufactura em espaços de ateliê para artistas em Brooklyn. Apresento um vídeo (Office/Commercial, vídeo ntsc; color; sound; 30’ 45”, 2007) e uma série de desenhos (105 desenhos a lápis, lápis de cor e texto impresso em papel). No video pode observar-se o meu percurso por estes espaços acompanhada de um pretenso assistente e de um agente imobiliário; com a falsa justificação de querer alugar um espaço de trabalho recolho imagens e conversas. Pretendo criar a memória social dos espaços que estão a ser destinados ao trabalho dos artistas na cidade e confrontá-la com o passado dos mesmos expondo a sua transformação. Tento ligar os dois momentos da vida daqueles espaços - é uma espécie de apropriação temporária do local de trabalho, um ocupação para uma futura construção utópica.
Considero que é um trabalho documental, mantendo nos locais conversas com os donos dos edifícios ou com os agentes imobiliários contactados para o efeito, pretendendo deste modo mostrar a transformação, em termos dos seus aspectos sociais e económicos bem como nos aspectos físicos e arquitectónicos do espaço. A série de desenhos acompanha a narrativa apresentada no vídeo, sendo as suas legendas impressas no papel. Pode eventualmente constituir para o espectador um potencial guia alternativo e proporcionar uma leitura diferente do trabalho em vídeo - nos desenhos os personagens tornam-se chimpanzés e são os personagens da performance e os seus diálogos, nos seus olhos podem observar-se os locais onde se encontram. Para mim existe uma ligação entre o desenho e a ficção que o artista promove na sua condição de autor- actor.
O trabalho é repetitivo e considero-o uma espécie de escrita. Alexandra do Carmo pretende repensar e reenquadrar os mecanismos de produção artística e o seu significado na sociedade, através da relação entre o discurso artístico desenvolvido no espaçoatelier, entendido como campo conceptual de estudo, e o público observador. A artista apresenta nesta exposição o seu mais recente projecto Office/Commercial (EUA, 2007), analisando a transformação de espaços de negócios em ateliers de artista na cidade de Nova Iorque); uma série de desenhos de cabeças de chimpanzés, cujo olhar reflecte imagens dos espaços de manufactura, futuros ateliers de artista; e o projecto The Steam Shop (or the painters studio), (Fábrica da Pólvora de Barcarena, Oeiras, 2006) onde transpõe a prática do atelier para o contexto público tendo como ponto de partida a questão“. Quais e onde estão os limites entre espectador(s) e artista(s), público e privado, o eu e o outro?” Alexandra do Carmo (n. Felgueiras, 1966) vive e trabalha em Nova Iorque.
Estudou Artes Plásticas no Ar.Co, em Lisboa, tendo concluído o mestrado no Pratt Institute, em Nova Iorque. Frequentou o Independent Study Program do Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque. Esteve recentemente em residência no Irish Museum of Modern Art. Expõe regularmente desde inícios dos anos 00. Das suas exposições individuais, destacam-se «Uma sala com repetição de tudo» (Módulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa, 2003) e«Wild M5» (Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural, Lisboa, 2004). |