| By Cláudia Conduto,
on 16-10-2008 23:15
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Cláudia Conduto expõe “moradia 361” até 28 de Dezembro na Galeria de Exposições Temporárias do Governo Civil de Lisboa. A obra é um “work in progress” que a artista realiza no âmbito da iniciativa Territórios de Transição. Sobre a mostra publica-se um texto de Cláudia Conduto e um outro do arquitecto José Manuel Fernandes .
Por volta de 1940, começou a obra do Bairro Social da Zona do Beato, tendo sido construída a moradia 361 no Bairro da Madre de Deus. Um plano de urbanização austero e salazarista, no qual se reinventou a casa típica portuguesa. O “Programa das Casas Económicas” tinha como objectivo alojar o crescente número de trabalhadores que emigravam do sul do país. Nos anos 50, a Freguesia do Beato fixa os seus limites actuais. Em 1965, o plano inicial de urbanização prevê a transformação do industrial Vale de Chelas em área urbanizada. No entanto, nos anos 70, a imagem da freguesia é descrita como um desolador “cemitério de fábricas”. A Freguesia do Beato é considerada, actualmente, um Vazio Urbano. A moradia 361, na Rua Luís Cadote, nº40, foi a morada dos meus Avós até ao final das suas vidas; a minha Avó trabalhou como costureira; aí criaram os seus filhos e envelheceram. Encontrando-se desabitada desde que ela faleceu, há mais de 10 anos, a moradia 361 é um “vazio” situado num Vazio Urbano.
Uma casa esquecida no tempo e no espaço. Vazio, por definição, é uma região do espaço não ocupada por coisa alguma; neste caso, não ocupada por quem a habitou, mas que a encheu de história. Cada canto, cada fenda ou pedaço de tinta que cai revela um episódio... e a casa conta. O conceito “casa” é-nos familiar: um edifício ou parte dele destinado à habitação, construído à espera de uso pessoal, onde as relações dos seus moradores possam fazer dele um “lar”. A casa representa a necessidade de estarmos “situados”; é ela quem dá ao homem o seu lugar na terra. A casa é a “terceira pele” do ser humano, logo a seguir à epiderme e à roupa. É o nosso local de abrigo, de descanso e faz parte da nossa identidade. Estabelecem-se relações afectivas com a nossa casa, tratamo-la por “tu”. Mas, o que acontece quando esse espaço é exíguo? Quando o espaço é tão pequeno que nos priva de privacidade? O que acontece quando a casa é de tal forma pequena que nos obriga a sair dela? moradia 361 revela um espaço privado, trazendo à luz memórias, cerimónias pessoais e rotinas quotidianas que constituem o reflexo dos seus habitantes, dos meus Avós. Moradia 361 é uma homenagem a uma casa e a quem a viveu. É uma homenagem aos espaços vazios que não o são. E, é ainda a libertação de um espaço que encontra a amplitude que lhe foi roubada.
Em Outubro 2007, no Convento das Bernardas em Lisboa, foi apresentada a primeira fase do meu projecto: uma série de Fotografias a Cores (Série I) e uma Instalação que recupera a volumetria da casa, agora “(re)construída” com andaimes que sustentam os planos verticais que definem o perímetro interior (os planos horizontais correspondentes ao Piso 1 e Cobertura foram retirados, mantendo-se apenas o plano horizontal correspondente ao Piso 0). Cláudia Conduto Cláudia Conduto (n. Lisboa, 1969) vive e trabalha em Bruxelas (Bélgica). A artista fez a Licenciatura em Belas Artes (“Art-Bachelor of Arts -Honours”), Royal Melbourne Institute of Technology - LASALLE-SIA College of the Arts, Singapura/Singapore, tem o Bacharelado em Belas Artes (“Fine-Arts Diploma”), LASALLE-SIA College of the Arts, Singapura/Singapore e um Bacharelado em Cenografia, Escola de Teatro e Cinema, Instituto Politécnico de Lisboa, Portugal. Cláudia Conduto foi Artista-em-Residência, Hotel Gallery, Singapura/Singapore, Outubro-Novembro/October-November e recebeu o Winston Oh Travel Award (LASALLE-SIA College of the Arts, Singapura/Singapore). Claudia Conduto expôs individualmente em 2007, “Territórios de Transição nº2_moradia 361” no Convento das Bernardas em Lisboa, em 2006, “Prop*lematic Spaces”, enquanto Artista-em-Residência, na Galeria Plastique Kinetic Worms em Singapura e, em 2005, “Contra-Censo”, em Arte.com, em Lisboa. A artista participou igualmente em exposições colectivas em Lisboa e Singapura. Cláudia Conduto está representada nas colecções Fundação PLMJ (Lisboa), PERI-HORY ASIA FORMWORK PTE LTD (Seul, Coreia), PERI-HORY ASIA FORMWORK PTE LTD, (Singapura) e em colecções privadas. Territórios de transição é uma iniciativa da I Trienal Inernacional de Arquitectura de Lisboa de 2007 e que abordou o tema dos “Vazios urbanos”. |
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