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18-Mai-2012
A acção interior | Configurações PDF Imprimir e-mail

By Luís Pinheiro, on 22-10-2008 14:33


 A elipse estende-se por dentro do infinito, não tem fim, nunca acaba. A sua forma visível – o cilindro – é apenas aparente e sintoma de uma percepção centrada no exterior, a constranger-nos o olhar. A Ideia e o Universo representado não são independentes, mas quem observa e quem concebe? E o que se pressente e o que se caracteriza? Qual a extensão do corpo e a das partes? Como se relacionam? Que acções, ameaças e desafios se topam no caminho inevitável para o despertar?

Questões complexas, para as quais “cada um” terá resposta a descobrir.

A escuridão, característica dominante para os que perseguem a luz exterior, cria apesar de tudo as condições necessárias para a manifestação. Dispersa e centrada no mundo restrito e desordenado que nos rodeia, a “sombra” parece apoderar-se e corroer a totalidade apreendida.

A visão de conjunto, ao situar-se no espaço infinito ou num tempo sem tempo – só acessível pela porta em que o véu do presente se desvanece – reavalia a existência e as relações que nela se estabelecem. Desejos, sofrimentos, “pensamentos” e acções são reordenados numa verdadeira e progressiva compreensão dos fenómenos.

A dualidade deixa de fazer sentido: o eu e o outro, o interior e o exterior, o espírito e a matéria da manifestação, o samsara e o nirvana, o ying e o yang, o masculino e o feminino, o esquerdo e o direito, o acima e o abaixo, o certo e o errado, o bem e o mal… Ao resolverem-se estas e “outras” contradições/oposições reemerge-se na Unidade, conquista-se o entendimento das forças e leis universais e o sentido das lições com que “cada um” se depara.

 Também as formas se condicionam e estruturam de acordo com regras e normas que imperam no momento da evolução em que surgem. Cada época, para além das modas passageiras, é dotada com um conjunto de técnicas, instrumentos, ideias, sensações e necessidades para a resolução de situações concretas que se expressarão através das obras, actos e pensamentos. Por vezes os percursos tomados pelos vários aspectos do agregado humano divergem momentaneamente, mas a permanência da sua integridade é necessária para que o Trabalho se realize.

O Todo, na evanescente forma global, assume uma forma obliqua e espiral, onde o constante reequilíbrio de contrários é sinal do movimento e consciência que caracterizam a existência. A dualidade implícita no processo, motor indispensável à evolução, tem a sua origem na necessidade de uma experiência que permita a síntese. Cores, linhas, sons, harmonias, formas, volumes, ritmos, trajectórias e estruturas da composição expressam, nesse contexto, a vontade, pensamento e nível de responsabilidade individual de quem intervém.

As tarefas rotineiras enquadram e esgarçam o quotidiano, para quem as transforma em objectivo. Estreitam horizontes e concentram a atenção em elementos exteriores. Quase todos os que assim descansam a mente e se sentaram na vida venderam a alma ao entregarem a terceiros a responsabilidade de pensar, decidir e organizar.

A solução para o “problema” está no desenvolvimento do Amor, ou para quem não entende o significado desta palavra – por defeito e arrogância intelectual – na expansão e expressão da harmonia interior no exterior.

 A verticalidade, sinónimo ancestral de Presença, anima o crescimento das estruturas. O nível de consciência individual colora, ilumina e cria as condições de existência nos espaços de interacção. “Cada um” transporta em si todo um conjunto de possibilidades.

Blocos cúbicos e paralelepípedos estabelecem pontos de referências, onde eixos e coordenadas determinam o tamanho, posição relativa e estratos topológicos. Algumas faixas de luz circundam e envolvem um grupo que parece ser mais numeroso do que é realmente – por se encontrar “inexplicavelmente” disperso e concentrado. Estranhamente essas faixas parecem afastar-se destes agregados e criar um plano de fundo que sobressai como silêncio apaziguador, e alterna com as tensões que surgem traduzidas em sons que buscam a ascensão ou, no sentido inverso, nos que a contrariam e dificultam. No fundo, dois aspectos e um só propósito.

O emaranhado cresce e ramifica-se, e com ele o universo considerado. A estrutura é fluente e a necessidade imperativa. A vontade de compreender e sentir conduz, a seu tempo, ao discernimento. Características e diversidade explicam – ao mesmo tempo que ocultam – o mistério da Unidade do Infinito, Eterno e Omnisciente. O Todo não difere das suas partes. Tal como a Intenção, o Corpo e Obra são indissociáveis.
   

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