| By Cíntia Gil e Maria Joana,
on 27-10-2008 00:37
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“É preciso que a vida inspire confiança” um filme de Cíntia Gil e Maria Joana realizado a partir da obra de Gonçalo Barreiros estará em exibição a partir de dia 28 de Outubro das 18h às 20h com a presença das realizadoras e do artista na Vera Cortês Agência de Arte, em Lisboa. As sessões iniciam-se a cada 30 min. O filme continuará em exibição até ao dia 31 de Outubro, o último dia da exposição de Gonçalo Barreiros. Sobre o filme publica-se um texto das realizadoras.
Fazer um filme a partir do trabalho de um artista é uma proposta altamente perigosa, no limiar da impossibilidade ou, em piores casos, do despropósito. Como encontrar um lugar comum ao trabalho de Gonçalo Barreiros, ao cinema e ao texto, sem proceder à construção de um jogo meramente formal e ilustrativo ou, pior ainda, explicativo? Como falar do trabalho de alguém sem dar leituras ou interpretações fechadas sobre esse mesmo trabalho? Uma boa possibilidade é mostrá-lo, descrevê-lo até ele passar a existir enquanto cinema. Dar o trabalho de Gonçalo Barreiros enquanto instante-movimento cinemático. Para tal, é necessário deformá-lo, encontrar em cada peça um ponto – um lugar energético por natureza – que seja o princípio da sua própria implosão enquanto objecto, o princípio da sua fragmentação, os seus interstícios que permitem entrar por ela adentro enquanto imagem. Que permitem trazer ao ecrã o próprio instante do acontecer de cada peça, descrevendo-a a partir de um espaço-tempo em que ela própria ainda não e já não existe – o lugar em que o que há é o jogo de tensões e de desencaixes entre nós mesmas, filmando, e o trabalho de Gonçalo. Este é um esforço – muscular – de pensamento. Num espaço poroso, num tempo marcado por contratempos, retrocessos e rupturas, este filme é uma errância entre imagens-ideias que não dão mais do que um cérebro que se curto-circuita a cada instante. Em vez de explicar as peças do artista, quer-se fazer implodir essas mesmas peças no seio de um filme que se vai comendo a si mesmo nos seus interstícios.
Este filme não é um documentário sobre o artista ou o seu trabalho, mas uma mostragem de uma impossibilidade (ou de um desinteresse) – falar sobre arte. Aceitou-se o desafio – dar em filme um momento no qual as peças de Gonçalo Barreiros se tornam um puro soco energético – o impessoal. Cíntia Gil Maria Joana Cíntia Gil nasceu em 1979. Estudou Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema em Lisboa e Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Colaborou com diferentes festivais e workshops de cinema como júri de selecção. Actualmente encontra-se a realizar doutoramento como investigadora integrada no Grupo de Investigação «Estética, Política e Artes» do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. Tem vindo a publicar diversos artigos e a apresentar o seu trabalho em encontros científicos em diversos países. É bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Maria Joana nasceu em 1977 no Bahrain e cresceu em Lisboa. Estudou montagem e realização na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (E.S.T.C.). Desenvolve a actividade profissional na montagem, anotação e realização, colaborou com Teresa Villaverde, Inês Gonçalves, Kiluanje Liberdade, Alberto Seixas Santos e Miguel Gonçalves Mendes. Recebeu o prémio Jovens Criadores, na área do vídeo (2000). No teatro, colaborou como assistente de encenação, produção e som com Ricardo Aibéo e Rafaela Santos. Fez o curso de argumento para cinema na Fundação Calouste Gulbenkian (2006). Em 2007 é co-fundadora da Associação Cultural Inventário. Gonçalo Barreiros nasceu em Lisboa em 1978. Em 2008 terminou o mestrado em Artes Plásticas na Slade School of Fine Art com bolsa integral da Fundação Calouste Gulbenkian. Em Julho de 2004 foi artista residente em Budapeste através da C.M.L. em coordenação com a Budapest Galeria. Em 2003 terminou o Curso Avançado de Artes Plásticas no Ar.Co, com bolsa da Fundação EDP e Dewalt. Das exposições individuais destacam-se na Agencia Vera Cortês em 2008 “ quero eu fazer as coisas...” e “3/4” em 2006. Em 2004 s/título na Livraria Assírio & Alvim. Das exposições colectivas destacam-se em 2008 “13” no Espaço Avenida em Lisboa, “10/10” na Galeria 1646 em Aia, Holanda, em 2005 a exposição Reóstato no espaço Interpress, Lisboa. Em 2004 na Bartolomeu 5, Lisboa e os Open Studios em Budapeste. Em 2003 a primeira edição do Prémio EDP-Novos Artistas no Museu de Serralves, Porto. |
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