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07-Jan-2009
Domínio de Si | Configurações PDF Imprimir e-mail

By Luís Pinheiro, on 04-11-2008 20:42


 Aprender. Adquirir Conhecimento e Sabedoria. Expressar a Vontade.
Estar. Dominar. Ignorar. Ajudar. Servir. Servir-se. Submeter.
Posições individuais a extremarem-se ou a anularem-se? Como caminhar? E para quê?

Por uma obrigação? Para vencer, provar ou aparentar “valor”? Num acto de fé ou como expressão de questionamentos interiores?

Quem sofreu sabe as respostas. Amarelo, conhece o desprezo, a nostalgia, o medo e a inibição que corroem a alma. Reconhece e evita o frete, a paixão e as emoções descontroladas. Para ele, prazer e desejo, características em potência no Azul, estão distantes, foram incorporadas. A sua luz brilha e sobressai na penumbra.

No marco Azul representou-se a melancolia e a sombra. Sereno, no escuro apenas ele existia. A penumbra que existe para si, e onde o Azul se revela e transmite. Os traços esculpidos na pedra são duros. Por eles a alma fala através da matéria. Corpos sem cabeça ou cabeças sem corpo, pura presença.

O preso, virado para dentro de si, é Cinzento. Acumula remorsos e degrada-se pela indiferença que exprime. Gordo por formação e não por questões genéticas ou doença, Cinzento recebe sem dar. Assume uma posição passiva perante a vida – um peixe anafado sem esperança e sem alegria. Tubarão ou alimento deste, tanto faz, que o sentido é o mesmo.

Cinzento conhece Azul, mas desconhece Castanho e ao Amarelo apenas nos sonhos vislumbra. A existência é para si uma incógnita, pois está preso aos nomes, designações, expressões e convenções. Cinzento é tosco e supérfluo. Em combate permanente com a vida, ameaça morder e protege-se escudando-se com os braços. Vive diariamente o Inferno porque é intolerante, predador e presa. O mundo em que vive e se aprisiona, se estrangula e castiga não pode nunca ser visto noutros tons. Cinzento vendeu ou cindiu a alma e segue o caminho da perdição. A face espelha-o e, por debaixo do make-up, o seu rosto surge manchado.

Castanho. A matéria em transformação, acarinhada nos gestos com que o mestre se revela e manifesta. Tudo reside aí. O gesto é elemento supremo na ilusão. As mãos concentram a energia, recebem ou conferem poder. São armas de Mago no gesto que liberta ou aprisiona.

A pele, a superfície, reflecte a luz que obteve, transforma e reenvia para o exterior. Castanho, Cinzento, Amarelo, Azul e todos os outros, sendo um só diferenciam-se assim.

Castanho saiu da água para a Vida. O gesto Vermelho, o que liberta e incorpora, aguarda-o. Cada vida, cada forma, cada arte, tem um destino, um objectivo, uma razão de ser em si mesma, que vai para além dos seus construtores. Castanho deixou as suas estrelas no mar e agora espera-o o lado sombrio e degradado da vida. A perdição e a pobreza. A bomba, a explosão e o silêncio que se segue. Aqui, à superfície, toda a protecção se torna uma ameaça, e a liberdade um valor supremo.

A Obra é o abrigo. O lugar de coito dos jogos de criança. O banquinho pequenino onde se senta e sente o mundo inteiro nas suas mãos. Ela fala por Si, é o escudo que interpõe ao seu interlocutor. O último é um “rapaz” com sorte, que aprende com as experiências alheias e transforma e confere alegria à sua existência.

A Vida e as Coisas que contem exprimem-se naturalmente pelos contrários que são um só, a expressão do arquétipo. O Despertar introduz na consciência o sentido das contradições. Assim, a segurança traduz a incerteza, a força o medo, a grandeza a pequenez, o conhecimento a ignorância, a riqueza a miséria.

Nesta civilização, a aparência é uma pele que se veste. O exterior constrói-se e cimenta-se, desligado do Ser. É castelo na areia, mais do que nos sonhos. Pó que se acumula e solidifica no efémero.

O traço, o desenho, expressa a Vontade e comanda o Trabalho, nele se funde intenção, técnica, poética e conhecimento adquirido. É o sinal manifesto do início da Obra, a verdadeira realidade.
   

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