plataforma virtual para a comunidade das artes plásticas e visuais
1ª Página arrow Opinião/Crítica arrow Mauro Cerqueira expõe entre pares | Entrevista  
09-Set-2010
Mauro Cerqueira expõe entre pares | Entrevista PDF Imprimir e-mail

By Nuno Cunha *, on 10-01-2009 20:02


 Mauro Cerqueira “nasceu” entre pares e é no seu seio que se impôs. Faz parte do grupo do Projecto Informal do Laboratório das Artes, ao lado de Alberto Carneiro, Miguel Palma, Pedro Calapez, Rui Sanches e muitos outros.

A sua obra integrou "Pestis Pesten" - FKSE ( Fischer Judit műtermében) Budapeste, Hungria, "Pilot: 3", Veneza, Itália, e Chelsea College of Arts & Design, Londres, FIAV.07 (Festival d'Images Artistiques Vidéo 2007), Centre Culturel Pablo Néruda, Nîmes, France, "Pilot", Tokyo Art Fair, Japão, entre muitas outras, além das intervenções que tem em Portugal.

No desenvolvimento de um trabalho, quais são as motivações, o que o desperta, como chega à ideia?

Recentemente tenho feito trabalhos em “atelier”, experiências com a documentação do processo, seja em acções performativas, fotografias ou esculturas.

O ambiente de “atelier” é fantástico para se trabalhar. Nesta altura ando a desenvolver uma ideia para um projecto que resulta de vários dos meus últimos trabalhos – alguns que ainda não apresentei – e que tenho registado fotograficamente e em vídeo e se desenvolvem em espaço de “atelier”. São diversas acções e esculturas de que poderá resultar talvez um livro de artista, onde se registam os diferentes usos deste espaço.

E nesse ambiente, como nasce a ideia?

Normalmente o trabalho acontece como resposta a um espaço. O seu aspecto arquitectónico é sempre muito importante para o resultado daquilo que vou fazer. É uma resposta às características do espaço, sejam as arquitectónicas ou históricas, se é um espaço gerido por artistas ou uma galeria.

 Mas o momento em que surge a ideia...

O filme “Derrapagem” por exemplo, surgiu em conversa com amigos, durante um debate em que falávamos do artista em falência, sempre sem dinheiro, e fazíamos uma pequena análise, quase histórica, de artistas e realizadores que levaram a própria família quase à ruína.

Nesse filme procurei chegar a essa ideia do artista em derrapagem. O artista está fechado num espaço e está a procurar uma saída. Nessa tentativa a parede cai. A tentativa dele foi um acto falhado.

É um processo intuitivo?

Sim, é!

O nascimento da ideia não é, portanto, racionalizado?

Sim. Depois de ter a ideia começo a desenhar, a compilar frases de livros, a recolher imagens, a fotografar, a seleccionar um tema e, a partir de toda esta informação, desenvolvo um projecto. Agora, a ideia inicial é muito intuitiva.

Considera que o seu trabalho é poético? Isso interessa-o?

Ultimamente o trabalho tem sido mais poético. Não penso nisso, mas considero que o trabalho deve ser problemático ou integrar várias problemáticas e isso acaba por torná-lo poético.

O público é importante no seu trabalho?

Uma coisa é fazer uma obra em que estão presentes processos de interacção física com o público. Aí ele é importante. Agora, se percebe a ideia ou a forma como as pessoas se vão relacionar com a obra, quero que isso fique em aberto.

Mas não pensa no público em momento nenhum? Em exposição, não lhe interessa a forma como interage com a obra?

Interessa-me depois de apresentada a obra, a forma como as pessoas se relacionam com ela. Agora, não faço um trabalho a pensar nisso.

Os políticos é que querem fazer muita coisa a pensar em nós e depois sai tudo torto.

 Do ponto de vista comunicacional, interessa-lhe mais apresentar o trabalho em espaços precários e alternativos ou considera que faz mais sentido em espaços institucionais, museológicos ou em galerias?

Eu exponho quase sempre em espaços geridos por artistas. Eu próprio e o André Sousa temos um espaço, que alugámos no centro do Porto, na Rua dos Caldeireiros, muito degradado e cheio de humidade.

Convidamos artistas para aí exporem ou para programarem pequenos ciclos de exposições e nesta altura, por exemplo, está patente uma exposição do Pedro Magalhães.

O meu trabalho cresceu em espaços destes, sem fins comerciais, onde os artistas são completamente autónomos.

Relativamente a outros espaços, é necessário ter a capacidade de lidar com eles, mas penso que todos os artistas preferem espaços geridos pelos seus pares.

Os galeristas só servem para ficar com metade do dinheiro. Deveriam divulgar o trabalho, mas quase nunca o fazem, deveriam apoiar-nos na produção e não apoiam... Basicamente chegamos a uma galeria, fazemos uma exposição, o galerista vende os trabalhos e fica com metade do dinheiro.

Com galeristas ou instituições é preciso não virar as costas por se ser anti-sistema, mas discutir, pôr condições e chegar a um acordo.

*Texto publicado com a revista NS que acompanha os jornais DN e JN no dia 6 de Dezembro de 2008.


   

Users' Comments  
 

Average user rating

 


Add your comment
Only registered users can comment an article. Please login or register.

No comment posted



mXcomment 1.0.5 © 2007-2010 - visualclinic.fr
License Creative Commons - Some rights reserved
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >