plataforma virtual para a comunidade das artes plásticas e visuais
1ª Página arrow Opinião/Crítica arrow “Coisas várias” de Jorge Pinheiro  
09-Fev-2012
“Coisas várias” de Jorge Pinheiro PDF Imprimir e-mail

By João Pinharanda | João Miguel Fernandes Jorge, on 13-01-2009 19:09


 Jorge Pinheiro expõe “Coisas várias” de 17 de Janeiro a 29 de Fevereiro na Galeria Fernando Santos, no Porto. Sobre a obra do artista publicam-se a seguir excertos de textos de João Pinharanda e João Miguel Fernandes Jorge

“Abandonando uma figuração de herança realista, a temática social e a formalização picassiana que caracterizara a sua formação escolar, Jorge Pinheiro desenvolveu, desde meados dos anos 60 e até 1981, uma persistente pesquisa abstracta geométrica.
Os trabalhos que desenvolveu não se limitaram ao desenho e à pintura de cavalete. Pensou a pintura como objecto, realizando recortes em madeira similares ao shaped canvas internacional, e concebeu um número muito ambicioso de construções escultóricas, explorando as ilusões da terceira dimensão, associando pintura, espelho, metal, volumetrias e bidimensionalidade. A parte mais significativa desses trabalhos permanece em projecto, tendo sido apenas virtualmente realizada.(...)
(...) É esta vontade de continuar a exercer comentários sobre a realidade histórica, cultural e artística que, poucos anos depois (em 1977, no desenho, e em 1980, na pintura), o faz regressar definitivamente à figuração pictórica. O seu interesse pela geometria, no entanto, continua a manifestar-se de modo oculto mas obsessivo nos estudos preparatórios das composições, resultando num conjunto de desenhos que, muitas vezes, o artista entende como parte integrante da obra final (nomeadamente na obra maior que é Porquê, 1992).
No contexto do regresso à pintura dos anos 80 e da predominância alcançada pela pintura figurativa, Jorge Pinheiro marca um lugar de grande singularidade geracional e temática. Desde então, e usando designações desenvolvidas no contexto da pintura italiana da década, o artista pratica uma pintura que poderia ser classificada como de citação e “anacrónica”, pelas suas referências, ou neoclássicas ou barrocas, cultivando em paralelo, e prematuramente em relação à aplicação internacional do conceito, uma expressividade “fria”. No entanto, a ironia de que frequentemente se reveste nunca é gratuita ou decorativa, e a frieza que exibe não releva de qualquer cinismo – é uma pintura inteligente e empenhada.”

João Pinharanda in CAMJAP – Fundação Calouste Gulbenkian

 

“Jorge Pinheiro: um pintor, um signo. Na procura de uma verdade pictórica, o pintor deixa percorrer a sua obra de uma luz que incendeia, com uma arqueologia nostálgica e com a fragilidade de uma existência longínqua, ícones, índices e símbolos.”

João Miguel Fernandes Jorge in Jorge Pinheiro, Oferenda Esquecida, Ed. Campo das Letras.


Jorge Pinheiro (Coimbra, 1931) frequentou a Escola de Belas-Artes do Porto, onde exerceu funções de professor até 1975, data em que se mudou para Lisboa.
Havia concluído a sua formação académica em 1963, ano em que integrou um grupo de alunos que, devido à classificação final no curso, tomou o nome de “Os Quatro Vintes”.
Em 1957 realizou a sua primeira exposição individual, seguindo-se uma série de intervenções de que se destacam as organizadas por aquele grupo entre 1968 e 1971 e até aos dias de hoje é vastíssima e coerente a sua carreira expositiva.
Foi agraciado com inúmeros prémios, dos quais destacamos, em 1954 Menção Honrosa da Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1969 Medalha de Prata no “Cinquentenário da morte de Amadeo de Souza-Cardoso”, em 1981 Prémio da III Exposição Nacional de Gravura da Fundação Calouste Gulbenkian e em 1989 Prix du Gouvernement Princier du Monaco, e mais recentemente foi agraciado com o Prémio Artes Plásticas Teixeira Lopes/Prémio Nacional Cidade de Gaia.
Em 2002 o Centro de Arte Moderna – José de Azeredo Perdigão, da Fundação Calouste Gulbenkian dedicou-lhe uma grande exposição antológica .
Encontra-se representado nas principais colecções das quais se destacam a Colecção da Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; o Museu Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante; o Centro de Arte Moderna – José de Azeredo Perdigão, da Fundação Calouste Gulbenkian; a Colecção EDP, Lisboa; a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Lisboa; o Governo Civil do Porto; a Colecção do Ministério da Cultura; A colecção do Ministério das Finanças; a Colecção Berardo, Lisboa; o Museu do Chiado, Lisboa; O Museu Nacional Soares dos Reis, Porto e o Museu de Serralves, Porto, entre outras.

 


   

Users' Comments  
 

Average user rating

 


Add your comment
Only registered users can comment an article. Please login or register.

No comment posted



mXcomment 1.0.5 © 2007-2012 - visualclinic.fr
License Creative Commons - Some rights reserved
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >