plataforma virtual para a comunidade das artes plásticas e visuais
1ª Página arrow Opinião/Crítica arrow Albano Afonso expõe na Galeria Graça Brandão  
09-Fev-2012
Albano Afonso expõe na Galeria Graça Brandão PDF Imprimir e-mail

By Paulo Reis, on 15-01-2009 20:57


 O artista brasileiro Albano Afonso expõe na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, até 14 de Fevereiro. Na mostra o artista explora o conceito de paisagem a partir de imagens de museus de ciências. Publica-se a seguir o texto “Albano Afonso e a Natureza Construída” da autoria de Paulo Reis.

Albano Afonso e a Natureza Construída

A natureza, na sua aparente complexidade, motivou a filósofos, cientistas e artistas na sua compreensão. O desejo romântico desse entendimento levou ao último dos grandes alemães, Alexander von Humboldt a afirmar que o artista Joachim Moritz Rugendas forneceu o modelo para uma nova abordagem da paisagem, ao encetar um novo espírito de investigação do mundo natural, não mais a serviço de retratos topográficos, mas sim da construção de ideia de natureza objectada pelas faculdades humanas. A representação da paisagem devia ser municiada por investigações sistemáticas, análises e compreensão de aspectos da botânica, da zoologia, da geografia física, da geologia e da antropologia para poder render algo possível de comparação em o real e o retratado. Era a ciência, subjugada à arte, a fortalecer seus sistemas integrados de conhecimento. Mas o realismo pelo qual pretendia a pintura de paisagem somente seria possível após a invenção da fotografia, na segunda metade do século XIX, que ajudaria ao artista a fixar o tempo. Assim, através do click, poder-se-ia “pintar” o instante para se construir uma natureza fidedigna, forjada no instante fotográfico.

 A natureza construída pelo artista Albano Afonso retoma esse intercâmbio entre a estética e a ciência que predominou nos séculos XVIII e XIX. Formalmente o artista se apropriou de imagens das paisagens dos museus de ciências naturais – uma clara alusão conceptual - para mistura-las com corpos estelares, voos de pássaros (inertes), animais fossilizados, entre outras imagens naturais. Trabalhadas a exaustão na técnica da sobreposição, como numa colagem dadaísta, as fotografias funcionam como polípticos repletos de narrativas complementares, como num rolo cinematográfico que vai animando a medida que por elas passamos. O artista preenche o espaço bidimensional com imagens - algumas vezes nítidas, outras vezes sombreadas por negrumes - numa espécie fade in cinematográfico, entremeadas por clarões de luz, como flashes, ou uma blitz, a palavra alemã que mais se adequa a estes instantes de cegueira que proporciona no espectador. A sua fotografia é também um claro aviso ao homem ao colocar a natureza como relíquia dos museus de ciências naturais.

Paulo Reis

Lisboa, Janeiro de 2009


   

Users' Comments  
 

Average user rating

 


Add your comment
Only registered users can comment an article. Please login or register.

No comment posted



mXcomment 1.0.5 © 2007-2012 - visualclinic.fr
License Creative Commons - Some rights reserved
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >