| By Carl Friedrich Schröer,
on 19-02-2009 10:17
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A Agência de Arte Vera Cortês recebe, entre 27 de Fevereiro e 4 de Abril, a exposição individual ”At Eye Level”, de Susanne S. D. Themlitz. Um conjunto de novos trabalhos que pertencem à série ”Parallel Landscapes / In Search of the Mirror Neurons”, iniciada pela artista em 2007, que conta até à data com 32 obras sobre papel e que tematica e tecnicamente vasta, ainda não se encontra concluída. Apresenta-se a seguir texto de Carl Friedrich Schröer (Tradução de Miguel Granja) descritivo do trabalho da artista.
Nestas obras recentes Susanne Themlitz apresenta-nos mundos paralelos, feitos de paisagens extensas povoadas por criaturas estranhas e extraviadas. Serão elas cenários móveis, pertencentes a uma desconhecida galeria de horrores de um viciado em banda desenhada, ou memórias oníricas e divagantes de um apaixonado por pintura medieval? Na amplitude da paisagem surgem mutantes humanos, criaturas com lóbulos, personagens hidrocéfalas e representações de órgãos como cérebros e corações. Surgem ainda caracóis, mosquitos, cactos e cogumelos que alcançam conexões enigmáticas. Despertam-se reverberações dos mundos fabulosos de Hieronymus Bosch ou dos espaços visionários de Max Ernst. São universos surreais, paisagens apocalípticas, habitadas por elementos em forma de colagens abstractas e figurativas. Elementos gráficos realistas ao lado de manchas de cor informes. Susanne Themlitz vai trabalhando com motivos periódicos, provenientes das suas próprias esculturas e instalações. Assim, e em quase todas as obras desta nova série, surgem cabeças gigantes com corpos atrofiados. A artista trabalha com perspectivas basculares (perspectivas de rã, de pássaro ou mesmo humanas), distorções, recalcamentos e alongamentos. O ponto de vista desloca-se incessantemente. A coerência da perspectiva dissolve-se. Também as cores se tornam autónomas, desprendem-se em jorros de tinta, aglomerando-se e multiplicando-se em sombreados. É com grande engenho que o desenho de Susanne Themlitz transborda para a colagem e para a pintura. Atinge-se um paradoxo em que a ausência ocupa uma presença equivalente àquilo que é apresentado. Frequentemente as sombras distorcidas tornam-se autónomas. E algures aí, uma certa melancolia. |
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