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09-Set-2010
“Skyline Connect” de Natércia Caneira PDF Imprimir e-mail

By Natércia Caneira, on 22-02-2009 00:47

 Natércia Caneira inaugura no Centro Cultural de Cascais, dia 27 de Fevereiro, “Skyline Connect”. Esta exposição de fotografia e desenho, patente até 8 de Março, resulta de um projecto comissionado pela United Media, constituído por imagens fotográficas captadas por via digital, durante pequenos percursos realizados em Lisboa e Viena, durante o mês de Novembro e Dezembro de 2007. São trabalhos que abordam o estado de viagem como elemento dinamizador de processos criativos, e a construção cumulativa de experiências vivenciais enquanto elemento base de uma comunicação interligada.

Publicamos a seguir o texto de Natércia Caneira sobre este trabalho.

Skyline Connect

Sinopse

A paisagem é um espaço subjectivo e em constante transformação, existe de novo cada vez que a contemplamos e redefine-se a si própria enquanto ideia de um local. É a sensação do lugar que produz a comunicação e é pela sua fruição que tomamos consciência da nossa própria existência. Quando essa existência é de natureza contemplativa, interagimos com a paisagem de uma forma muito peculiar.

Para mim a amplitude da paisagem surge como campo privilegiado de acontecimentos dinâmicos, que me fazem questionar o sentido da verticalidade e da autonomia do espaço. Por vezes encontro extensões do espaço etéreo que se suporta por detrás da realidade objectiva, são resíduos de momentos que reflectem a minha presença em toda a sua opacidade.

A subjectividade da paisagem intriga-me e incita-me numa procura da temporalidade do espaço vago dentro dos seus próprios limites. Frequentemente dou por mim em busca desses limites que a linha me perece colocar. A deambular pelos locais que me sugerem uma relação mais intuitiva com a paisagem, utilizando a linha como registo dessas expedições pelo meu próprio espaço sensorial.  

Parece-me intrigante que algo tão presente como a paisagem urbana, demonstre a capacidade de se fundir numa abstracção, onde o lugar se desenha a si mesmo e a linha surge enquanto âncora do real. Nesta relação contingente, onde o resíduo espacial sustenta uma certa subjectividade paralela, vou de um ponto para o outro como que desenhando no espaço as camadas de um processo existencial assente na procura de uma intrínseca leveza do ser.

Natércia Caneira

2007

 

   

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