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09-Set-2010
“To Draw An Escape Plan” de Nuno Sousa Vieira PDF Imprimir e-mail

By Nuno Sousa Vieira, on 24-02-2009 12:02

 Nuno Sousa Vieira inaugura dia 27 de Fevereiro na Galeria Graça Brandão, Lisboa, “To Draw An Escape Plan”, segundo o artista, “um projecto expositivo cujo desenho resulta de uma estratégia progressiva cujo objectivo final é a saída do meu ateliê. Esta fuga desenvolve-se num conjunto de procedimentos e etapas, em que cada uma delas é causa directa da que a antecede e cujo objectivo final é a determinação do lugar de saída.” Patente até 4 de Abril.

Publicamos a seguir o texto de Nuno Sousa Vieira sobre esta mostra.

O meu actual ateliê é nas instalações de uma antiga unidade fabril que iniciou a sua actividade nos anos 60. Esta fábrica de plásticos produzia sacos, baldes, bacias e todo uma parafernália de produtos de plástico. No início da década de 70, foi construído um novo bloco anexo ao já existente, para aí serem instalados os novos escritórios, respondendo ao crescimento económico e empresarial. Alguns anos mais tarde, as instalações fabris foram aumentadas. Um novo hangar foi construído, mas sem os devidos procedimentos legais, tais como projectos e licenças; o mesmo sucedeu com as sucessivas ampliações da estrutura inicial. A visão da estrutura empresarial como um todo perdeu-se, dando lugar a uma mera adição de partes, que procurava responder às necessidades do mercado, facto que conduziu também à alteração do produto comercializado durante a década de 80, passando a empresa a produzir PVC e TR (transformando resina num novo componente utilizado para a fabricação de solas de borracha e garrafas de plástico). Após sucessivas vendas, a empresa, no início dos anos 90, foi adquirida pelos actuais donos que consideraram as instalações insatisfatórias. As fragilidades de uma construção desordenada e gradualmente degradada, conduziram ao fim daquela unidade fabril. Seguiu-se o seu progressivo desmantelamento e substituição por uma nova estrutura construída a cerca de 20 quilómetros e, nos finais do século XX, deu-se o encerramento definitivo desta unidade fabril.

 Em 2001, este espaço foi-me cedido para ateliê. Depois de ultrapassados os confrangimentos iniciais gerados pelo facto de ir trabalhar nos meus projectos, num espaço dotado de uma enorme carga afectiva, senti-me disponível para olhar para aquelas paredes e responder ao impulso de trabalhar, não só naquele local, mas com o próprio local. De espaço de trabalho, ele passou progressivamente a matéria de trabalho e, actualmente a material de trabalho. Percebi que está tudo lá e eu só tenho que encontrar e descobrir cada proposição plástica, para a poder mostrar.

No ano de 2007, o processo de legalização de toda aquela unidade fabril tornou-se incontornável, o que conduziu a algumas alterações no espaço e entre elas, por razões de segurança, ao corte da luz. Este facto provocou em mim uma tomada de consciência do fim daquele espaço enquanto ateliê, precipitando-me para uma ideia de saída.

O projecto que desenvolvi, nasce da associação de uma dupla ideia de saída - as obras que saem do espaço onde foram produzidas para o espaço galerístico e a minha eventual saída daquele espaço. Essa saída, propicia uma simultânea ideia de entrada, do artista e do público. Este pleonasmo de saída e a fortíssima relação inerentes às dicotomias presença/ausência e participação/distância, são questões centrais neste projecto. O hiato de tempo entre o estar dentro e o estar fora determina o desenho do projecto expositivo.

Nuno Sousa Vieira

2009

   

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