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09-Set-2010
"Man kriegt was man sieht: Peter Kogler em Lisboa" PDF Imprimir e-mail

By Jean-François Chougnet, on 12-03-2009 00:18

 Publicamos o texto da autoria de Jean-François Chougnet, director do Museu Colecção Berardo, sobre a exposição de Peter Kogler no Museu Colecção Berardo, Lisboa, patente até 31 de Maio.

Man kriegt was man sieht: Peter Kogler em Lisboa

Ao trabalhar no texto do catálogo para a exposição de Viena e ao acompanhar a preparação da nova etapa da própria exposição, em Lisboa, deparei-me com algo aparentemente paradoxal. Embora o percurso deste artista demonstre, desde as primeiras obras, rigor e coerência, os comentadores e a crítica têm-no associado à arte digital e às artes decorativas: esta última referência, sobretudo, parece-me um contra-senso. Se for necessário procurar referências austríacas, devemos dirigir-nos ao arquitecto Adolf Loos (1870-1933), autor de Ornament und Verbrechen[1], artigo que data de 1908. Nele, Loos estigmatiza o ornamento,  definindo-o como «um atraso ou uma manifestação de degeneração», «uma vez que o ornamento já não é um produto natural da nossa cultura.» Para Loos, «uma vez que o ornamento já não está organicamente relacionado com a nossa cultura, também já não constitui expressão da mesma. O ornamento criado hoje em dia não tem qualquer relação connosco, qualquer relação humana, qualquer relação com a ordem universal. Não tem capacidade de desenvolvimento.» «“Ornamento” em tempos era um epíteto que significava “belo”. Hoje, graças ao trabalho a que tenho dedicado toda a vida, é um epíteto que significa “de valor inferior”», concluía numa antologia dos seus textos publicada em 1931. Confinar Peter Kogler à arte digital seria também redutor: apesar de trabalhar com vídeo e projecções sincronizadas, o que lhe interessa não é nem a tecnologia nem o efeito pelo efeito.

Trabalhar nas margens das artes decorativas e do digital de modo a retirar daí uma visão crítica da proliferação das imagens parece ser a preocupação de Peter Kogler. Desde a década de 1980, nas fronteiras da pintura, da escultura e das artes gráficas, as intervenções de Peter Kogler levam o espectador a entrar na imagem. Ao dispor nas paredes motivos sintéticos emprestados por um universo de cultura electrónica (formas tubulares, fileiras de formigas, cápsulas, bolbos, gráficos de jogos de computador

Jean-François Chougnet

   

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