| By Isabel Dimas,
on 25-03-2009 21:36
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”Como encontrar um lugar comum ao trabalho de Gonçalo Barreiros, ao cinema e ao texto, sem proceder à construção de um jogo meramente formal e ilustrativo ou, pior ainda, explicativo? Como falar do trabalho de alguém sem dar leituras ou interpretações fechadas sobre esse mesmo trabalho?”, estas questões colocadas por Cíntia Gil e Maria Joana foram o ponto de partida para a curta-metragem que ambas realizaram sobre a obra do artista plástico Gonçalo Barreiros. Apresentada anteriormente na Agência de Arte Vera Cortês, a curta-metragem ”É preciso que a vida inspire confiança”, será exibida quinta-feira, 26 de Março, às 21h30, na Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema.
Como explicam as realizadoras, a forma encontrada para ultrapassar estas questões iniciais passa por: ”dar o trabalho de Gonçalo Barreiros enquanto instante-movimento cinemático. Para tal, é necessário deformá-lo, encontrar em cada peça um ponto – um lugar energético por natureza – que seja o princípio da sua própria implosão enquanto objecto, o princípio da sua fragmentação, os seus interstícios que permitem entrar por ela adentro enquanto imagem. Que permitem trazer ao ecrã o próprio instante do acontecer de cada peça, descrevendo-a a partir de um espaço-tempo em que ela própria ainda não e já não existe – o lugar em que o que há é o jogo de tensões e de desencaixes entre nós mesmas, filmando, e o trabalho de Gonçalo. Este é um esforço – muscular – de pensamento”. Segundo Vera Cortês: ”Este filme permite abrir um debate sobre o que é produzir um projecto sobre uma obra artística, levando a repensar a categorização rígida que caracteriza a criação artística em Portugal. Neste sentido, apresenta-se um objecto ambíguo, que propõe um outro espaço de encontro entre as áreas em questão”. A mesma responsável acrescenta ainda que: “A Agência de Arte Vera Cortês apresenta assim um novo projecto que prolonga e redimensiona um dos objectivos do seu projecto fundamental: proporcionar novos modos de apresentação e de pensamento no âmbito da criação artística. Neste sentido, a produção deste filme surge como uma proposta que parte do universo das artes plásticas e que abre uma forma específica e própria de produzir objectos cinematográficos que se apresentem em si mesmos enquanto risco”. |
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