| By Ângelo de Sousa,
on 30-03-2009 15:19
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Ângelo de Sousa expõe “Em Branco” até 10 de Maio na galeria do Instituto Politécnico de Tomar, em Tomar. Na exposição estão presentes dois conjuntos de desenhos: um de esculturas de pequena dimensão, realizado nos anos 60, e um segundo grupo, com uma escultura de maior dimensão, realizado já neste século. Sobre a mostra publica-se um texto da autoria do artista.
Sempre tenho feito (muitos) desenhos, desde que me conheço. Quando vim para o Porto, para a Escola Superior de Belas Artes em 1955, continuei a fazer desenhos. Quer dos modelos em gesso – próprios do curso – quer para minha satisfação. Levava para todo o lado, uma pequena pasta de cartolina, com folhas de “papel de máquina” do formato A5 (metade do A4) . A princípio, usava uma caneta de tinta permanente; depois, um marcador com tinta preta, de fabrico inglês, marca Flo-master. Era uma ferramenta usada, pode dizer-se, exclusivamente, pelos aspirantes a artistas da Escola do Porto. Acho que em Lisboa nunca pegou, mas dava gosto utiliza-la. Como o papel era bastante barato, podia fazer enormes quantidades de desenhos, sem grandes preocupações com a despesa. Tinha o cuidado de deitar fora, sem piedade, a maior parte do que ia produzindo. Convém não ficar embevecido com o que se vai pondo neste mundo. Ao longo dos anos, fui sempre mantendo uma certa autonomia da actividade desenhística; isto é, poucos desenhos evoluíram para trabalhos noutras técnicas ou com maiores dimensões.
Nos anos setenta, para enganar o tédio e a monotonia de inúmeras, sucessivas iterativas reuniões, (antes e depois de Abril de 1974), continuando, contudo, a funcionar como funcionário público, voltei à pequena pasta com folhas de papel A5. Eram desenhos que se faziam sem lhes prestar grande atenção, enquanto funcionava. Iam acontecendo. No fim do dia, escolhia os que me pareciam mais interessantes, os que julgava, imediatamente, passíveis de desenvolvimento, em dimensões maiores, por vezes com recurso a cor. Até hoje, foram aproveitados dessa maneira, cerca de uns trezentos. Estiveram, muitos, pequenos e grandes, visíveis numa exposição realizada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 17 de Outubro de 2003 e 18 de Janeiro de 2004, em Lisboa. Depois que me reformei, como funcionário público, desapareceram as condições (ideais) para fazer os tais desenhos pequenos. Limitei-me como escrevo acima, a desenvolver alguns escolhidos. Demorou algum tempo a tornar a encontrar (ou a criar), condições para retornar a actividade desenhística. Mas (sem sair de casa nem me reunir) creio que voltei a encontrar (ou a criar) condições para retomar a actividade. E tenho continuado, até o presente. Janeiro 2009 Ângelo de Sousa |
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