| By Albano Silva Pereira,
on 16-04-2009 23:54
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“Geolux” reúne obras com diferentes temáticas que Miguel Soares tem vindo a desenvolver desde 2006. Várias fotografias e vídeos que evidenciam o universo do artista, onde tecnologia, ciência e ficção se fundem de forma particular. Para visitar até 7 de Junho no Centro de Artes Visuais, em Coimbra.
Apresentamos de seguida texto de Albano Silva Pereira. A exposição ”Geolux” de Miguel Soares surge no contexto do programa que o Centro de Artes Visuais - Encontros de Coimbra tem fomentado de divulgação da obra de artistas portugueses a meio de carreira com projectos pensados especificamente para esta instituição. Com um percurso iniciado no princípio dos anos 90, Miguel Soares (Lisboa, 1970) tem vindo a desenvolver um trabalho que se centra em preocupações relacionadas com a tecnologia e a criação humana (onde a ficção científica tem particular relevo), a relação entre arquitectura e design, assim como a ecologia e a geografia. Existe paralelamente uma constante pesquisa em torno das questões de percepção e dos processos de criação de uma imagem. Utilizando uma miríade de referências que vão da arte conceptual à música erudita, da ficção científica à tecnologia mais avançada, na presente exposição Miguel Soares apresenta um universo visual que gira em torno da Geografia, da Geologia e da Luz. ”Geolux” reúne obras com diferentes preocupações e temáticas datadas entre 2006 e o presente e apresentará dois vídeos inéditos que propõem, com base em composições musicais criadas pelo artista, uma animação 3D que foca a reacção de objectos abstractos ao som. Se aparentemente as suas obras propõem sistemas paralelos, quer sejam artificiais quer sejam fictícios, na verdade, a sua intenção é a de propor uma nova forma de conceber a realidade e de alterar a percepção desta. Neste sentido, as suas obras sugerem um novo modo de pensar e de ver o mundo. A obra de Miguel Soares tem um lugar singular na criação contemporânea portuguesa. Diversa e profundamente criativa, é capaz de simultaneamente apresentar situações de uma enorme simplicidade, como aquela em que mostra os locais onde o artista conceptual Bruce Nauman expôs no ano de 2007 (Jumping Nauman, 2007), ou lâmpadas de jardim transformadas em planetas através do simples manipular da abertura do diafragma (Planets, 2008) até à morosa e complexa desconstrução do Concerto de Brandeburgo e a criação de uma nova música que comprova o autismo do seu interprete mais famoso Glen Gould (untitled (Playing with Gould playing Bach), 2007). Miguel Soares foi o vencedor do Prémio BesPhoto 2007 e o seu trabalho de vídeo foi alvo de uma exposição antológica na Culturgest nesse mesmo ano. |