| By José Miguel Pereñíguez,
on 25-04-2009 12:57
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O artista José Miguel Pereñíguez apresenta até 30 de Maio na Galeria Pedro Oliveira, no Porto, a exposição ”Años de peregrinaje”. Uma revisitação por peças produzidas pelo artista há alguns anos atrás, foram o ponto de partida para novos desenhos que questionam a relação entre personagem e espaço e a procura efectiva do ”lugar”.
Apresentamos de seguida texto do artista. Até metade da sua vida, Franz Liszt reuniu uma série de obras para piano com o título de“Anos de peregrinação”. Estas peças evocavam experiências e sensações das viagensque durante a sua juventude o levaram pela Suiça e Itália. Os lugares, os estados de alma, as leituras e meditações eram reelaborados pelo artista maduro, contados nessa linguagem total com que os românticos pretendiam abarcar, desde a superfície do som até ao fundo da consciência. Esta exposição toma emprestado o título da obra de Liszt para estabelecer um jogo semelhante de recapitulação. A partir de uma série de obras e desenhos, procedentes do meu período de formação, realizei novas versões que põem em evidência determinados recursos e convenções gráficas. Nestes novos desenhos há um elemento que aparece sempre: o solo. E uma presença sempre elidida: a figura humana. A maneira como fundo (espaço) e figura se relacionam ilustra o modo em que se vai enformando uma visão arquetípica do mundo. Diferentes estratos do pensamento expressos por meio do desenho sobrepõem-se e apontam a uma obsessão comum: determinar a posição de uma personagem num espaço fictício como exercício para, no seguimento, situar a posição própria respectivamente ao “lugar” como tema e como condição que afecta todo o teu trabalho. Essa procura do lugar próprio, seja no plano da ilusão ou no da realidade, define oposicionamento do peregrino. Aqui começa a viagem. |