| By Emília Tavares,
on 06-05-2009 00:45
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“Batalha de Sombras” é o título da exposição constituída por obras de fotógrafos portugueses da década de 50 que está a decorrer no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira , até 14 de Junho, constituída por obras do acervo do MNAC – Museu do Chiado. Emília Tavares, comissária da mostra, é autora do texto que a seguir publicamos.
MNAC – Museu do Chiado fora de portas A colecção de fotografia do Museu Nacional de Arte Contemporânea- Museu do Chiado, foi iniciada em 1999, com o processo de doação das obras fotográficas de Fernando Lemos, pela A. T. Kearney, Portugal. Na continuidade desta política de actualização dos acervos, foram incorporadas na colecção, através de aquisições e doações, um conjunto de obras fotográficas representativas das dinâmicas da fotografia portuguesa ao longo da década de 50, momento particularmente interessante e mal estudado da sua história A fotografia portuguesa, neste período, reflecte de forma ímpar muitas das dissonâncias e conflitos estéticos então vividos, que só podem ser lidos e entendidos em articulação e cruzamento permanente com todas as outras áreas da vida cultural, social e política neste período. A “batalha de sombras” que estas imagem evocam, é a repercussão duma sociedade cada vez mais polarizada entre a perpetuação duma ilusão e o desengano, produzindo imagens ensombradas por uma cultura fotográfica e artística pouco debatida, ignorando-se mutuamente, e em que cada imagem é a expressão dum dilema entre a “arte pela arte” e as rupturas (im)possíveis em prol duma arte de dimensão e participação social e humanista.  Mais do que uma batalha entre tradição e inovação assistimos a uma ambivalência entre representação e apresentação, técnica e inspiração, alta e baixa cultura, estética e ética, arte e ideologia. Na década de 50, todas as dissonâncias e incoerências são o reflexo duma relação interrogativa, sem bem que muitas vezes inconsciente, do objecto fotográfico face aos diversos entendimentos estéticos da cultura portuguesa, assim como da sua história. Os autores e obras aqui apresentadas percorrem aspectos de grande diversidade, desde a fotografia amadora associativa e o meio salonista a ela associado, abordando a produção de autores inéditos, os amadores “anti-salonistas”, a fotografia no contexto dos movimentos neo-realista e surrealista, assim como a vocação ilustrativa e de inventário do objecto fotográfico. A apresentação desta colecção de fotografia do MNAC-MC, assenta numa interrogação crítica de toda esta diversidade, permitindo a constatação de ritmos múltiplos na sua articulação, que levantam debates subjacentes ao objecto fotográfico de interesse generalizado actualizado, nacional e internacionalmente Pretende-se, assim, colmatar o desconhecimento sobre um dos períodos mais interessantes da cultura fotográfica portuguesa, desenvolvendo uma reflexão teórica e um conhecimento histórico aprofundado. Emília Tavares |
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