| By Pedro Tudela,
on 14-05-2009 22:56
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Pedro Tudela fará uma intervenção no cofre do Edifício da Reitoria da Universidade do Porto de 15 a 31 de Maio. Sobre a intervenção do artista publica-se o texto “Os sítios que guardam conhecimentos são seguros?” da sua autoria.
Os sítios que guardam conhecimentos são seguros? Os lugares definidos pelos quatro planos verticais uma base e um topo, acumulam conhecimento e reúnem, fixam e guardam como somatório, diferentes realidades. Esses lugares respiram e dão voz a toda a informação que foi acumulada ao longo dos tempos. É seguro pensar que os contentores, os depósitos ou as gavetas conservam os dados que lá foram colocados. Também não é menos verdade que estes reflectem a alteração do tempo, com a mutação da forma do lá vai sendo adicionado. Mas é seguro acreditar que o que lá foi posto manter-se-á incólume, a não ser que, pela vontade de terceiros, o destino se altere? Certo é que, mesmo que o vai e vem da inovação altere as configurações ou as aparências, a soma feita de memórias, tempos e sinais, se vai agrupando e fixando o volume da história. Os espaços, per si, são áreas que admitem acções de variadíssima espécie, tal como o acolhimento de factores impostos, mas também podem ser montados para fins exclusivos. A adição e a quantidade da matéria, por vezes , relaciona-se com a origem das primeiras intenções. Sejam espaços ou planos, as superfícies que acolhem estas práticas e estas quantidades, moldam-se numa nova forma, num novo engenho que se comparam a mecanismos que acolhem e acumulam porções que se transmutam numa peça singular feita de múltiplas parcelas. É o caso dos gravadores de pistas magnéticas, ou dos samplers que para lá do armazenamento têm a capacidade de poder reeditar o que lá foi colocado; ou ainda, sem a mesma habilitação imediata de reprodução temos, por exemplo, os discos rígidos. Use-se também como exemplo um conceptáculo de fotografias. As fotografias lacram uma história do momento da captura, do autor do disparo, para não mencionar toda a meta data da mais recente terminologia digital. Se, num dado período de tempo juntarmos os resultados dessas acções num mesmo receptáculo, esse novo elemento passa a ser uma quantidade de casos num só corpo. A matéria resultante dessa atitude de correspondências, poderá ser encarada como uma colagem. Nos exercícios de colagem juntam-se dados com origens e histórias distintas (ou não) e dita-se um novo caso. Essa nova coisa é uma adição, uma apropriação, uma conjugação ou uma assemblagem de informação que assume uma nova analogia. O resultado é um novo exercício de relações que nasce do saber dessa mesma soma. Pedro Tudela Maio de 2009 |
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