| By Rita Santos,
on 14-05-2009 23:48
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Sofia Leitão expõe “Dear Time's Waste” na Caroline Pagès Gallery, em Lisboa, de 21 de Maio a 31 de Julho. Na mostra a artista apresenta esculturas. Patentes também na galeria trabalhos da artista francesa Mïrka Lugosi. Sobre as exposições publica-se a seguir um texto da autoria de Rita Santos.
Dear Time’s Waste é o título que marca a segunda exposição individual de Sofia Leitão na galeria. Pelo intermédio de uma pesquisa sempre relacionada com o tempo e com a história (material e circunstancial), as esculturas que propõe encontram-se num cenário de simbologias acesas onde a tendência saudosista e nostálgica de outras vivências encontra o palco principal. Os objectos outrora abafados pela deterioração surgem, assim, em forma de escultura afirmando um sublime trespasse do tempo em que a insistência na perdurabilidade das coisas é acentuada pelo efeito que as mesmas produzem na sua envolvência: a luz que emana devido à sua própria constituição física, de reflexos, é artificial e provém de um trabalho pormenorizado que, em si mesmo, se assume num gesto calculado sobre a relevância da permanência temporal, na qual a metamorfose é agente necessário para a actualização dos corpos existentes. O trabalho de Sofia Leitão tem evidenciado a preocupação de recuperar contextos e cenários perdidos em momentos passados, procurando renovar determinados aspectos simbólicos e iconográficos que traduz formal e visualmente num trabalho artístico alimentado em muito numa visão cenográfica (e que alia à atenção sobre o cinema, o teatro e a fotografia). Na escultura e na pintura, a artista promove a captação sumptuosa e ornamental da luz e das formas projectadas no espaço, cuja dimensão assenta na proposta de um imaginário sedutor que permitirá regressar a uma essência efémera, mas desejada. Em 2000, Sofia Leitão (PT 1977) concluiu o Curso Superior de Desenho na ESAP no Porto e em 2005 formou-se em escultura pela Faculdade de Belas Artes do Porto (FBAUP). Em 2003 expôs Contra Péssimos Hábitos, Maus Hábitos, Porto. Em 2005, teve lugar a primeira exposição individual na Galeria MCO, no Porto, e três participações colectivas: Selecção Anteciparte em Lisboa, a XIII Bienal de Cerveira e 100 Desenhos, Maus Hábitos, no Porto. Em 2006 a artista participou nas exposições colectivas Young Giant Painters na Galeria MCO, Porto, e Surrounding Matta-Clark (comissariada por Paulo Reis) na Galeria Carlos Carvalho em Lisboa. Em 2007, realizou a sua primeira exposição individual em Lisboa, Beauté du Siècle, na Caroline Pagès Gallery. Participou recentemente em Pavilhão de Portugal, Hangart-7 em Salzburgo, Áustria. É representada pelas galerias Caroline Pagès em Lisboa e MCO no Porto onde expõe com regularidade. As suas obras pertencem a colecções privadas, nomeadamente em Portugal, Espanha e Áustria, e integram ainda a colecção da Fundação PLMJ em Lisboa e Ilídio Pinho no Porto. A integrar a exposição está também a artista francesa Mïrka Lugosi com a mostra de um conjunto de oito desenhos em grafite e lápis de cor. O Desenho tem sido a expressão máxima do seu trabalho, onde a delicadeza e detalhe são características evidenciadas pelo gesto meticuloso do traço. A exploração de um mundo surrealizado, intensamente simbólico, dá a conhecer um plano figurativo no qual formas e seres encontram o hibridismo e se completam apesar da possível e aparente estranheza entre si. A criação de um universo fantástico cambiante entre o erótico e o feminino é produzida como se todos os intervenientes estivessem naturalmente entrosados, num movimento de fluidez que, neste sentido, não se estrutura na sensação não pertença e, ao invés, toma como base a incitação do desejo. Mïrka Lugosi (FR 1958) tem exibido o seu trabalho internacionalmente há cerca de duas décadas. Esta é a primeira vez que expõe em Portugal. Em França, é representada pela galeria Air de Paris e expõe com frequência noutras galerias e centros de arte por todo o país. Nos Estados Unidos da América tem participado em exposições por diversas galerias tal como Columns (Nova Iorque 2007), Bellwether (Nova Iorque 2006) e Tod Kaplan (Los Angeles 1997). Cinco monografias sobre o seu trabalho foram já publicadas. As suas obras estão incluídas em numerosas colecções privadas pela Europa e Estados Unidos da América. Rita Santos, Abril de 2009 |
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