| By José António Pinto Ribeiro,
on 24-05-2009 01:37
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José António Pinto Ribeiro, Ministro da Cultura, no texto de sua autoria que a seguir publicamos, explica as razões da escolha da dupla João Maria Gusmão + Pedro Paiva para representar Portugal na Bienal de Veneza.
Uma proposta que faz mundos A escolha da dupla João Maria Gusmão e Pedro Paiva para representar Portugal na 53.a edição da Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia corresponde à vontade de afirmar a conjugação entre diferentes vectores: o tema geral escolhido por Daniel Birnbaum para a edição deste ano, «Fazer Mundos»; a tendência para a afirmação de criadores plásticos com uma produção que utiliza a imagem em movimento como suporte para as suas propostas (é assim com diversas representações nacionais, assim como com projectos paralelos); a vontade de reconhecer a vitalidade do trabalho de novas gerações de artistas visuais portugueses. João Maria Gusmão e Pedro Paiva encontram-se no cruzamento dos vectores enunciados: o seu trabalho é um projecto global, é uma proposta que «faz mundos», no sentido de se colocar não como mero objecto em contexto, mas definindo o próprio contexto, criando um universo próprio. A escolha destes artistas está, pois, bem sintonizada com a perspectiva curatorial global desta edição. A sua utilização de suportes fílmicos coloca-os em confronto directo com alguns dos artistas internacionais mais conceituados que também se encontram em presença nesta edição da Bienal de Veneza, promovendo a afirmação de possibilidades relacionais que aprofundam a intervenção das artes contemporâneas portuguesas no contexto internacional. A juventude dos artistas é um estímulo para uma geração de portugueses que, no domínio das artes plásticas, demonstra a vitalidade do país, reconhecendo-se, nos seus diversos protagonistas, com produções heteróclitas e rigorosas, um estatuto que é demonstrado pela sua presença regular nas mais prestigiadas estruturas museológicas, colecções, feiras e galerias. A escolha de Natxo Checa para comissariar os artistas da representação portuguesa é o reconhecimento do seu trabalho em Portugal e de equipa com os mesmos e outros artistas. Neste caso, são dois mais um, uma relação forte que vai para lá da mera produção ou reflexão conjunta, permitindo debater a importância e o modo como, actualmente, se definem os papéis no quadro das artes contemporâneas. Ao mesmo tempo que se reconhece o seu trabalho neste contexto em concreto, reconhece-se, também, a relevância da sua actividade cultural ao longo dos últimos quinze anos. Com esta presença naquela que é considerada a bienal de artes visuais mais destacada a nível internacional, o Ministério da Cultura, através da Direcção-Geral das Artes, cumpre a sua missão de estar presente nos momentos mais significativos do calendário internacional, contribuindo para a afirmação da cultura gerada e sedimentada a partir do nosso território para o todo que é este mundo globalizado onde habitamos. José António Pinto Ribeiro Ministro da Cultura |