| By NS*,
on 26-06-2009 18:43
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“Bordaliana” de Joana Vasconcelos, patente na Fundação PLMJ, em Lisboa, até dia 11 de Julho, levanta de novo uma questão largamente divulgada: qual o futuro da cerâmica Bordalo Pinheiro?
Joana é frequentemente considerada como “herdeira” do “ready-made” e do pop. Nas suas obras integra imagens, ícones e informação de origem popular portuguesa, com resultados frequentemente “engagés”. Poderá ser o caso. O trabalho desenvolvido pela artista, além disso, patenteia o rigor que lhe vem da sua formação em joalharia no Ar.Co: “O meu trabalho é joalharia, só que feito segundo uma escala diferente” (e-vai.net em 19/9/2007). Com a mesma linguagem e o mesmo rigor, “nesta exposição mostra-se, pela primeira vez, todo o corpo de trabalho que Joana Vasconcelos dedicou, nos últimos anos, às faianças artísticas Bordalo Pinheiro. Reunindo onze figuras do bestiário cerâmico de Bordalo Pinheiro, a exposição constitui uma oportunidade rara para conhecer este segmento singular da produção de Joana Vasconcelos” (documento de divulgação da PLMJ). Cada projecto que desenvolve prende-se com uma situação específica, e da junção de diversos factores relacionados com essa situação, que varia caso a caso, nasce uma obra sua. Não há uma lógica comum a todos os seus trabalhos, mas geralmente relacionam-se com temas do consumismo, da urbanidade e do quotidiano, ou de objectos do quotidiano; a mulher e as suas questões actuais são também frequentes na sua obra, realçando problemas da existência da mulher na nossa sociedade, como poderia ser, como é ou como foi e como é noutros pontos do globo; finalmente, Joana não descura, também, questões sociais e políticas contemporâneas. “Joana Vasconcelos inspira-se nas visões do mundo dominantes para analisar múltiplas problemáticas da sociedade – refere o documento da PLMJ. - Desconstruindo os valores, hábitos e costumes latentes ou manifestados na cultura popular, a artista comenta os estilos de vida actuais, sobretudo os enraizados na identidade colectiva, releve esta do género, da classe ou da nacionalidade. As suas esculturas constroem-se com bens de consumo de elevado valor simbólico e forte eficácia visual, manipulados segundo uma dada narrativa ou iconografia. Assim, engenhosa e minuciosamente alterados através de técnicas manuais inscritas na prática laboral feminina, estes materiais convertem-se em objectos conceptualmente complexos e formalmente sedutores. Sob um impulso alegórico, estas obras lançam, pois, inesperados olhares sobre a realidade”.  Desde 2005 que a artista aplica às faianças Bordalo Pinheiro os revestimentos de croché que já tem feito do antecedente, e “centrou-se nas representações de animais como o sapo, o sardão e o caranguejo ou, então, a lagosta e a vespa, cujo fabrico só hoje se retomou por sua iniciativa”. Desta forma, segundo a PLMJ, Joana presta homenagem ao génio criador que foi Bordalo Pinheiro. Joana Vasconcelos, “Bordaliana” Fundação PLMJ Rua Rodrigues Sampaio, 29, Lisboa Até 11 de Julho Quinta a sábado das 15h às 19h * - Publicado na revista NS, suplemento de sábado do DN e do JN |
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