| By Claudia Melo ,
on 07-07-2009 18:05
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Estremoz foi considerada “Cidade de Excelência” ao ganhar o Prémio Projecto Urbano – Reabilitação, com o projecto para o Rossio do Marquês de Pombal e largos adjacentes, dos arquitectos Adalberto Dias e Graça Nieto.
O Rossio do Marquês de Pombal, lugar de troca de bens, serviços e cultura desde o século XVI, é uma das maiores e mais belas praças portuguesas, circunscrita por edifícios notáveis e de grande escala, como o Convento dos Congregados, onde funciona a Câmara Municipal, ou o Convento das Maltezas, que deu lugar ao “Centro Ciência Viva” . Contudo, “apesar do seu carácter de cidade, da sua formação histórica e dos seus espaços e edifícios de referência (é hoje) um território fragmentado”, referem os arquitectos, que identificaram os seguintes problemas na própria praça e na relação com a envolvente: “excesso de espaço viário sobre o pedonal, uma grande ruptura provocada pelo caminho de ferro , fragmentação e dispersão do espaço público, descaracterização de espaços de encontro e sociabilidade, demasiadas frentes de estacionamento, escassez do espaço pedonal de relacionamento com o edificado”. O mercado semanal, que cria uma ocupação quase espontânea na praça e provoca grande afluência de pessoas e veículos, tem contribuído para esta desqualificação por transformar o local num espaço expectante e de estacionamento automóvel. “De forma a resolver as continuidades perdidas e articular os elementos dispersos desta realidade urbana, a proposta de requalificação desenha uma nova rede de relações conceptuais e materiais: repõem-se eixos visuais e perspécticos, criam-se novos espaços em conjugação com outra mobilidade menos dependente do automóvel, ligando de maneira coerente e continua os três grandes momentos da cidade de cota baixa e estável, o Rossio do Marquês de Pombal, a Praça Luís de Camões e Pelourinho, e o Largo do Gadanho”, assinalam os responsáveis pelo projecto ganhador, que já tinha vencido o anterior Concurso de Ideias aberto pelo Município para o reequacionamento do mesmo local histórico. A equipa multidisciplinar procurou com o desenho urbano e arquitectónico uma hierarquização e separação clara entre a estrutura viária e os espaços da praça, redesenhando espaços de estar, eixos viários e ligações. “Estas ligações aliadas à Rota do Comércio Tradicional, permitem a afirmação de uma nova gama de espaços de referência e enquadramento de edifícios simbólicos e monumentais”, acrescentam os arquitectos, que também deram especial atenção aos sistemas ecológicos de suporte, para assegurar a infiltração e escoamento hídrico. A título de exemplo, os conjuntos árboreos do centro da cidade integram um corredor de continuidade no sistema húmido do território, pelo que foi proposto o reforço das árvores existentes e a criação de novos jardins. Os arquitectos Adalberto Dias e Graça Nieto resumem o seu projecto do seguinte modo: (…) “em articulação com as intervenções no espaço público, a proposta cria condições para o desenvolvimento e consolidação de actividades e serviços urbanos, potenciando o turismo e o comércio tradicional, os recursos hídricos e energéticos, tudo com factores também determinantes para a sustentabilidade e sucesso da intervenção”. E foram estas as valências que o Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade e Jornal Planeamento e Cidades quiseram premiar, ao atribuir o grau de “Excelência”. Local Estremoz Cliente Câmara Municipal de Estremoz Custo Estimado Não indicado Conclusão Estimada 2011 Atelier Adalberto Dias Adalberto Dias (n. Porto, 1953), licenciado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto. Colaborou com Siza Vieira de 1971/77 e desde 1977 tem atelier próprio. Das suas diversas obras destacam-se o Departamento de Engenharia Mecânica e as Residências da Universidade de Aveiro ou as Estações do Metro do Porto. Foi Premiado nas I e III Trienais Internacionais de Arquitectura de Sintra de 1992 e 1998. Nomeado para os Prémiso Mies van der Rohe 1996, Iberfad 1996 e Secil Arquitectura 1998. da Baixa Portuense - Porto, Capital da Cultura, 2001 Claudia Melo *Este artigo foi publicado no DN no dia 28 de Junho de 2009 |
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