| By Claúdia Melo ,
on 13-07-2009 00:42
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David Adjaye, o arquitecto que projectou o Africa.Cont, o Centro Cultural Africano de Lisboa, assinará também o projecto do Museu Nacional de Washington, dedicado à História e Cultura Africana e Americana.
O novo museu ficará num local estratégico, o que reforça a sua importância, bem no coração e centro simbólico da capital norte americana: na rua da Constituição, frente ao National Museum of American History e a alguns metros do célebre Obelisco. Vencedor de um concurso internacional em que suplantou nomes como Norman Foster ou I M Pei, o arquitecto tanzaniano associou-se a duas equipas de projectistas norte americanos, a Freelon Group e Davis Brody Bond Aedas. O conceito arquitectónico e museológico do colectivo foi o de ir buscar inspiração a referências culturais tão diversas como as geográficas e as simbólicas, desde formas arquetípicas à escultura africana ou à arquitectura norte-americana. A volumetria principal do museu é composta por uma série de segmentos de pirâmides invertidas, revestidas a películas de cobre, que aludem a uma coroa e ao mesmo tempo evocam o celebrado museu nova-iorquino Guggenheim de Frank Lloyd Wright. A homenagem do arquitecto africano radicado em Londres ao mestre norte-americano é enfatizada na criação de uma escadaria em espiral no interior do museu, que aumenta de diâmetro à medida que ascende, à semelhança da volumetria do Guggenheim. Finalmente, a entrada, em pedra, inspira-se nas esculturas em madeira e marfim do povo Yoruba, um dos mais antigos de África, que está origem, através da escravatura, de cultos como o dos Orixás, no Brasil. Com 20 mil metros quadrados e organizado em seis pisos, dos quais dois são subterrâneos, o futuro museu culmina num grande terraço ajardinado. A equipa, deliberadamente, eliminou as pomposas entradas, de escadarias e pórticos, tão características da arquitectura neoclássica da capital norte-americana. Optou por criar uma entrada plena de transparência visual e de comunicação física interior/exterior, trazendo assim a arte para a rua, para o quotidiano e para todos. No entanto, a cultura clássica também é celebrada, através de duas grandes colunas de pedra na entrada que, segundo a equipa de projectistas, evocam as cariátides do Parthénon, em Atenas. O grande momento dramático do edifício é o “lobby” central, densamente coberto com altos troncos de madeira, clara alusão à paisagem e cultura africanas. É a partir daí que se tem acesso às salas principais de exposição, nos segundos e terceiros pisos, e às áreas de lazer, no último piso e na cobertura. Das salas é possível observar alguns pontos notáveis de Washignton através da malha de bronze que reveste a fachada, oscilando entre uma densidade quase opaca e uma grande permeabilidade ao olhar e à luminosidade. A par do seu espólio museológico, o edifício do Museu Nacional de História e Cultura Africana e Americana irá, certamente, alterar a percepção que os americanos têm da sua história e da importância da cultura negra na sua formação. Ou, conforme sintetizou Dadid Adjaye ao “New York Times” , este trabalho “tinha que ser um projecto sobre a celebração de uma viagem e que olhasse, também, para o futuro”. Local: Washington, Estados Unidos da América Cliente: Smithsonion Institute Estimativa de Custo: aprox. 600 milhões euros Area Bruta de Construção: 20.000 metros quadrados Data prevista de conclusão: 2015 Atelier: Adjaye Architects
Atelier fundado por David Adjaye em 1994 . Nascido na Tanzania em 1966 e naturalizado Britânico, , Adajye é licenciou-se em 1993 pela Royal College of Art. Estagiou com Eduardo Souto de Moura e David Chipperfield. É autor de obras emblemáticas como a WhiteChapel Idea Store, em Londres, pela qual foi candidato ao Stirling Prize. Claúdia Melo *Este artigo foi publicado no DN no dia 12 de Março de 2009 |
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