| By Claúdia Melo,
on 13-07-2009 01:10
|
O Estádio do FC Barcelona, o Camp Nou, expressão catalã que significa Campo Novo, vai ficar mais novo ainda, com a remodelação de que vai ser objecto, a cargo de Norman Foster, o arquitecto britânico que venceu o concurso internacional.
Actualmente o maior estádio de futebol da Europa, com lotação para 99.000 espectadores, o Camp Nou, acomodará 106.000 fãs num futuro próximo e abrir-se-á mesmo a novas utilizações. De acordo com os responsáveis do “Barça”, a ideia da remodelação não se resume a dotar o estádio de maior número de lugares ou mais valências de utilização, mas sim “conceber um estádio moderno e confortável” e, acima de tudo, “criar um elemento icónico na cidade” , à imagem do momento de pujança que actualmente o clube catalão está a viver. Como estrutura desportiva, Camp Nou já é considerado um estádio “cinco estrelas” pela UEFA, classificação que tem em conta o tamanho e conforto dos estádios, mas também outros aspectos, mais subtis, como a qualidade de iluminação e condições de segurança. Desenhado pelos arquitectos. Francesc Mitjans-Miró, García Barbon e Soteras Mauri, figuras-chave da arquitectura catalã a partir dos anos 50 do século XX, o estádio caracteriza-se pela sua linguagem arquitectónica depurada, racional e sóbria , a forma assimétrica e a utilização de elementos pesados, como o betão aparente. Desde a sua inauguração, em 1957, sofreu várias remodelações, que no entanto não desvirtuaram a essência do projecto original. A principal aumentou a lotação para 105 mil utentes, aquando da realização do Campeonato da FIFA, em 1982. Findo o evento, a lotação foi reduzida para a que existe actualmente, a fim de cumprir com os requisitos da UEFA. A proposta de Norman Foster baseia-se na ideia de que o FC Barcelona “é mais do que um clube, pelo que o novo Camp Nou irá ser mais do que um estádio”. Apesar de estruturalmente manter as caracteristicas do estádio actual, a imagem do Camp Nou irá mudar radicalmente: a sobriedade dará lugar à exuberância. Paralelamente, irão ser criadas novas valências como um Museu do Clube ou unidades de alojamento. A grande aposta de Foster consiste em enfatizar a ligação do clube e do seu estádio aos seus fãs e à cidade. Irá ser criada uma nova cobertura “ para abrigar os fãs” e uma nova “pele” no entorno do edifício que ligará as fachadas à cobertura agora proposta. Feita de uma estrutura leve de painéis de policarbonato translúcidos e coloridos de azul e vermelho, as cores do clube, esta pele também “pode ser vista como um símbolo de lealdade e devoção do FC Barcelona aos seus fãs do mundo inteiro”, refere Norman Foster. Isto porque a fachada é dinâmica, como se fosse um organismo vivo. Os painéis terão um sistema integrado de iluminação permitindo que a fachada funcione como um écran gigante que projecta imagens para a envolvente. A fachada poderá ainda ser animada com jogos de luz, que variam desde uma iluminação discreta e ténue até efeitos vibrantes e intensos, particularmente nos dias em que o clube irá jogar. O Camp Nou junta-se, assim à família, de estádios de futebol contemporâneos, como o de Wembley ou o Allianz Arena, que pretendem marcar o território para além do espaço que ocupam, verdadeiros locais de veneração à semelhança das catedrais medievais das cidades europeias. Materiais: Policarbonato transparente e colorido Fachada iluminada Cliente: FC Barcelona Previsão de custo: 250 milhões de euros ABC (área bruta de construção): Não indicado Atelier: Foster + Partners Atelier fundado por sir Norman Foster (n. 1935, Reino Unido), que se licenciou em Arquitectura pela Universidade de Manchester, a sua cidade natal. Vencedor de cerca de 300 prémios, incluindo o Prizker, o mais prestigiado prémio internacional, e 65 concursos nacionais e internacionais, Norman Foster é conhecido pela abordagem “high-tech” elegante dos seus edifícios. As obras mais emblemáticas incluem os Aeroportos Internacionais de Beijing e Hong Kong, a Torre “Century” em Tóquio e o Parlamento Alemão “Reichstag” em Berlim. As suas obras mais recentes são o Museu de Belas Artes em Boston e a Ópera de Dallas. Claúdia Melo *Este artigo foi publicado no DN no dia 21 de Junho de 2009 |
|
|