plataforma virtual para a comunidade das artes plásticas e visuais
1ª Página arrow Opinião/Crítica arrow A provocação em museu | No Convento de S. Domingos, Abrantes  
09-Set-2010
A provocação em museu | No Convento de S. Domingos, Abrantes PDF Imprimir e-mail

By Cláudia Melo *, on 26-07-2009 20:06

No Convento de S. Domingos, no centro histórico de Abrantes, vai nascer o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, destinado a preservar e a expor espólio valioso anterior à fundação da nacionalidade.

O projecto, da autoria do arquitecto Carrilho da Graça, contempla a requalificação e ampliação no convento, através da criação de novas valências que incluem um edifício novo e arranjos exteriores.

Uma vez concluído, o novo edifício – uma torre branca, com mais de 40 metros de altura –, o perfil de Abrantes será outro.

Destinado a ser um museu interdisciplinar de abrangência territorial regional -internacional - integra-se, aliás, numa rede de museus latino-americanos com os mesmos objectivos - albergará múltiplos usos, distribuídos de acordo com as especificidades dos espaços. Assim, o convento, erguido no século XVI e classificado como “Imóvel de Interesse Público”, funcionará como espaço de evocação histórica de alguns dos seus anteriores usos, com um centro de investigação, biblioteca e mediateca especializadas, gabinetes de estudo e gabinetes da direcção do Centro.

No edifício novo funcionarão o átrio de acolhimento e serviços adjacentes, um auditório com cerca de 150 lugares, uma área destinada a exposições temporárias e o coração do museu, o Circuito Expositivo Permanente, com testemunhos da Arqueologia e Arte da Pré-História e da Antiguidade. Incluirá ainda diversos blocos a ocupar pelos Serviços Técnicos (Serviços Administrativos e de Direcção) e outras áreas de apoio, como um Centro de Restauro de Arqueologia e Arte ou armazéns.

Formalmente, o contraste entre o novo edifício e o Convento de São Domingos é uma das apostas do arquitecto Carrilho da Graça. O Convento, da autoria de Pêro Fernandes, data do século XVI é de estilo maneirista e renascentista, evidenciados no claustro. Por seu lado, a ampliação consiste numa torre de 45 metros de altura, um monólito despojado no exterior e exuberante plasticamente no interior. Esta verticalidade é ainda acentuada pelo local onde se situa o convento, um monte associado à fundação da cidade de Abrantes.

“A proposta teve como preocupação prioritária a explicitação dos valores patrimoniais do conjunto, da mesma forma que procurou responder, com uma solução adequada e flexível, às exigências programáticas solicitadas

pelo Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de que Abrantes carece” – defende Carrilho da Graça.  Para o arquitecto, o novo edifício representa também a possibilidade de ver a cidade nos seus 360º, com janelas para os pontos notáveis como o Castelo de Abrantes , o Tejo e a malha urbana. Simultaneamente, ficará bem à vista de toda a população de Abrantes, uma forma omnipresente e mais destacada do que o próprio castelo, também situado no topo de um monte.

Assim, a torre é um elemento assumidamente provocatório, dissonante e que procura diferentes jogos de contrastes na sua relação com a envolvente. Num primeiro momento, a sua geometria elementar e rígida contrasta com a organicidade e adaptabilidade das edificações à topografia acidentada daquele pedaço histórico de cidade. Já dentro destes espaços, a rigidez aparente do invólucro dá lugar a espaços interiores plenos, de onde sobressaem as curvas e a fluidez. “O volume é intersectado por um vazio coleante que atravessa todos os pisos, perfurando-os”, diz Carrilho da Graça. O centro de cada piso tem uma forma única e diferenciada e sempre com uma configuração sinuosa e orgânica. O que resulta num efeito luxuriante de formas profusamente iluminadas e que competem com o espólio em exibição. Este consiste em importantes achados arqueológicos relacionadas com a Lusitânia, recolhidas em vários pontos da Península Ibérica.

O futuro Museu irá, também, albergar as obras doadas ao Município de Abrantes pela pintora Maria Lucília Moita e pelo escultor Charters de Almeida.



 

Cliente

Câmara Municipal de Abrantes 

Previsão de conclusão

2011

Previsão de custo

12 milhões de euros 

ABC (área bruta de construção)

Não indicado 

Atelier

JLCG- João Luís Carrilho da Graça

João Luís Carrilho da Graça, (n. 1952, Portalegre) , é licenciado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. 

Da sua extensa obra destacam-se a Escola Superior de Comunicação de Lisboa, o Centro Regional de Segurança Social de Portalegre, a Piscina Municipal de Campo Maior, o Teatro e Auditório da cidade de Poitiers e o Museu do Oriente.

Recebeu diversas distinções,  incluindo os Prémios Secil , Valmor, FAD e Pessoa

* Publicado no DN no dia 19/7/2009

   

Users' Comments  
 

Average user rating

 


Add your comment
Only registered users can comment an article. Please login or register.

No comment posted



mXcomment 1.0.5 © 2007-2010 - visualclinic.fr
License Creative Commons - Some rights reserved
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >