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09-Fev-2012
“An unexpected thought” ou da função na arte contemporânea na Goteborgs Konsthall PDF Imprimir e-mail

By Vítor Leal, on 04-08-2009 11:07

 A galeria de Arte Contemporânea - Goteborgs Konsthall, Goteborg, Suécia, apresenta a exposição “An unexpected thought – function in contemporary art”, num explícito desafio face à nossa percepção da arte e da funcionalidade. Em exibição de 4 de Junho a 16 de Agosto de 2009.

Exposição controversa mas extremamente actual e necessária onde a questão da funcionalidade na arte contemporânea é colocada em primeiro plano. Sendo para tal necessário entender a função e funcionalidade num contexto mais abrangente do que a função dos objectos de design. A abertura do nosso entendimento quando a intenção artística é criar algo com funções específicas foi algo sempre presente na História da Arte, mesmo contemporânea, veja-se a função de ruptura artística, estética, ética do Ready-made de Duchamp.

 

 Nesta exposição surgem artistas que se ligam, nas suas práticas individuais, por explorarem ideias em torno da funcionalidade e da forma, seja a nível prático, ideológico, ou poético.

 

 O duo dinamarquês Bosch & Fjord surje com o projecto “Free Zone” em que utilizam a produção artística como um instrumento para a criação de um espaço público mais dinâmico, para a criação de novas relações e vivências da arte no quotidiano público. Recorrendo ao uso de sinais instam o espectador a tomar o comando da cidade, através do convite à execução de várias acções, quebrando as normas e regras tácitas e estipuladas para o comportamento em espaços públicos. Convidam os visitantes, os cidadãos de Goteborg a sugerir localizações para os sinais na cidade. Tornando a produção artística como um instrumento para criar novas experiências e possibilidades.

 

Maria Johansson apresenta a escultura “Play sculpture on elastic carpet” explora as potencialidades dos materiais, que estabelece uma particular relação com o ambiente circundante e com as pessoas. Uma escultura pública para ser usada, numa relação dos materiais apelativos ao olhar e ao tacto elásticos que contrasta com a dureza da pedra dos edifícios e praça circundante. Uma escultura que tem como destino uma nova escola para crianças do pré-escolar na Telefonplan, Estocolmo.

 

Luca Frei procura os diálogos entre exterior e interior na instalação “Untitled (Interstices)”. Uma peça constituída por cinco paredes de poliestireno e gesso, encostadas entre si, como se de uma casa de cartas se tratasse, num delicado equilíbrio, entre estabilidade e fragilidade. Espaços entre as paredes. Corredores e lacunas por onde o visitante circula, entrando na experiência dos espaços.

 

O espanhol Xabier Salaberria explora a relação com o mobiliário e objectos de que nos rodeamos no dia-a-dia. Partindo das premissas de que a forma destes objectos são determinados pelo design enquanto as nossas rotinas e modos de vida são enformados pelo modo como os utilizamos. Caso da sua instalação de quadro escolar para sala de aula e bancos desterritorializados, aos quais a sua função primário foi retirada. Afirmando o valor da atribuição de nova função a estes objectos, determinados pelas relações entre o quotidiano e os objectos que demonstra as directrizes, os valores da estrutura social da nossa cultura.

 

Fredrik Norén explora o lado lúdico dos materiais e dos objectos utilitários em obras escultóricas que partem de objectos do quotidiano que nos rodeiam, intervencionando-os e submetendo-os a deslocações de natureza surrealista, tornando objectos familiares em algo de estranho e novo. Há uma intenção que estabelece uma negociação entre a forma e a função, entre o estético e o prático, até que ponto um objecto é visto de modo diferente quando se reequaciona, se renegocia, se reduz ou se elimina a sua função original. Em “Part Shelf “o visitante depara-se com uma estante cortada ao meio, disposta na parede em conformidade com as estipulações comuns a uma pintura que os livros, pela coloração das suas lombadas, acentuam.

 

Peter Thorneby explora o design gráfico e particularmente o design de letras, fazendo uso de uma fonte por ele concebida em “Quiet & Electric”. A fonte ou letra surge como um objecto que é colocado num campo de função e instrumentalização destinado a uma transparência que não perturbe a sua leitura, destinada a um segundo plano face ao significado das palavras que compõem.

Observa-se em “An unexpected thought - function in contemporary art” uma exposição provocatória e essencial tanto para se ver e pensar a arte, como para expô-la.

   

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