plataforma virtual para a comunidade das artes plásticas e visuais
1ª Página arrow Opinião/Crítica arrow Das mãos aos pés | Perplexidades  
18-Mai-2012
Das mãos aos pés | Perplexidades PDF Imprimir e-mail

By Risoleta da Conceição Pinto Pedro, on 29-09-2009 17:57


 Que há de comum entre estes minúsculos pés recortados em metal, e este pano branco pousado sobre uma mesa e cruzado por linha vermelha e azul, com agulhas em fila lateral aguardando as mãos?

Num dos trabalhos,  os pés estão presentes em versão Liliputiana, no outro, as mãos, de tão ausentes, estão presentes também. Porque delas é a obra, porque é a elas que as agulhas aguardam.

Para além disso, que há de comum entre estes dois? trabalhos Que se trata de joalharia, sem dúvida. Mas há mais.

Constituíram duas das componentes de uma exposição integrada num workshop dado há uns meses por Christoph Zellweger na Arco. Intitulava-se “Mapear a complexidade”.

Todos escolheram uma profissão para mapear:

 Sónia Brum fez um mapeamento com as linhas para cozer. David Pontes, que é ourives, escolheu a sua profissão, e segundo ele “…deu nos pés porque me baseei no mapeamento do caminho de escola / casa / escola. Basicamente tem a ver com tudo o que, num sentido metafórico ou não, exige pé ante pé. Passo a passo”.

É um artista que, embora talvez não tenha consciência disso, sabe conceptualizar, de uma forma muito interessante, aquilo que cria. Embora não necessite disso para o fazer, quando o faz, fá-lo de forma ao mesmo tempo leve, profunda e eloquente.

Quando fui visitar a exposição dos trabalhos deste workshop, os pés estavam colocados, multiplicados sobre um expositor de vidro, mas havia também alguns espalhados, divididos sobre o chão, o local dos pés. Onde o artista gostaria que eles estivessem, mas estando aqueles pés tão isolados dos outros, foi-me concedido pelo autor trazer comigo um dos (metafóricos de si mesmos) pés, o que agradeci, porque nunca são demais os pés para aterrarmos, para pousarmos suavemente, para nos enraizarmos ou para nos elevarmos.

Trabalhar com as mãos, construir um mapa de linha sobre linho, também pode ser uma forma de aterrar, pousar, enraizar ou elevarmo-nos. Talvez não vá assim uma tão grande distância dos pés às mãos. Os pés viajam, as mãos criam o mapa da viagem. São as mãos o suporte dos pés, a sua segurança. Se for fiável o mapa que as mãos criaram, será segura a viagem que farão os pés.

Sei que não parece, mas estou a falar de joalharia. A prova da transcendência da arte.

http://www.risocordetejo.blogspot.com/

 

 


   

Users' Comments  
 

Average user rating

 


Add your comment
Only registered users can comment an article. Please login or register.

No comment posted



mXcomment 1.0.5 © 2007-2012 - visualclinic.fr
License Creative Commons - Some rights reserved
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >