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12-Mar-2010
Carpe Diem em acto PDF Imprimir e-mail

By Vítor Leal, on 09-12-2009 14:22

 O terceiro programa de exposições do Carpe Diem Arte e Pesquisa apresenta Fernando Sánchez Castillo, José Spaniol, Mariana Viegas, Rui Horta Pereira e uma mostra colectiva de Joana da Conceição, João Serra, Liene Bosquê e Miguel Pacheco. Patente de 11 de Dezembro de 2009 a 20 de Fevereiro de 2010.

 

O Carpe Diem Arte e Pesquisa continua o seu extremamente interessante e dinamizador projecto de divulgação da arte contemporânea em Portugal, e com particular incidência em Lisboa, com a apresentação do seu terceiro programa de exposições que explora a arte no seu “engajamento” político e social. Encontramos investigações sobre a vivência na sociedade, “Dialéctica da Cortesia de Fernando Sánchez Castillo”, na cidade enquato projecto cultural, “4X de Joana da Conceição, João Serra, Liene Bosquê, Miguel Pacheco”, das novas mitologias e universos sociais, “Linda Fantasia de Rui Horta Pereira”.Aquando da inauguração, no dia 11 de Dezembro, haverá uma performance, “+ here and now”, de Susana Guardado com a participação de Inês Pais, explorando as relações entre música e corpo assente na ideia de experiências colectivas de comunicação e vivência em contexto social.    Contará ainda, a dia 12 de Dezembro, com uma Masterclass com os artistas Fernando Sanchéz Castillo e José Spaniol em torno da temática política e activismo através da obra de arte contemporânea, fazendo uso da obra dos artistas em questão para exemplificar algumas estratégias e possibilidades práticas. Esta masterclass tem como público alvo artistas em princípio de carreira.

Nota de Imprensa

Dialéctica da Cortesia de Fernando Sánchez Castillo (Espanha)

 O artista Fernando Sánchez Castillo trabalha com temas como memória e política,movimentos sociais e revoluções, derivados dos processos históricos contra osfantasmas dos ditadores – Salazar, Franco, Hitler, Mussolini e Estaline, que assolaram o mundo, e outros ditadores que ainda hoje nos rodeiam. Na mostra Dialéctica daCortesia, o artista cria uma fábula sobre os “heróis” anónimos das revoluções urbanas,dispostos entre barricadas e acções de luta contra um sistema totalitário. Numa leituraparticular do que existe de espectacular nas manifestações políticas de rua, a partir dos livros de Pierre Bourdieu, o artista recria o universo mediático desde as barricadas de Maio de 1968 até aos dias de hoje. A instalação é composta por diversas esculturas em bronze sob a forma de objectos que compõem as barricadas tais como pneus, megafones, pedras, árvores, ovos, bombas caseiras, entre outros, além de um vídeo e de uma fotografia. A mostra Dialéctica da Cortesia funciona como um simulacro do real vivido.

Duplicadores de José Spaniol (Brasil)

 O artista José Spaniol tem-se aventurado a construir suas obras no limite possível daexperiência. Nas suas instalações e esculturas utiliza materiais pouco usuais como aareia, a argila e a cera, conjugados com madeira, pedra e metal, sempre associadas atextos literários, filosóficos, enciclopédicos ou mesmo frase tiradas da toponímia dasgrandes cidades, requerendo do espectador a experiência e a vivência da obra.Ao combinar a instalação, a escultura, o desenho e a arquitectura do espaço para criaruma obra de intensa carga fenomenológica, José Spaniol procura resgatar todo otrabalho humano, o esforço de gerações que semeiam a terra para a construção daquilo que denominamos Cultura. Na exposição Duplicadores, o artista apresenta duas instalações onde expõe a sua visão do céu e do inferno, além de uma série de desenhos em tinta-da-china sobre papel e tinta-da-china sobre ardósia e esculturas.No dia 10 de Dezembro pelas 22h00, José Spaniol inaugura na galeria 3+1 ArteContemporânea (rua António Maria Cardoso, 31, Chiado) uma série de fotografiascomplementares aos desenhos que o artista apresenta no Carpe Diem Arte e Pesquisa.

Why Monkeys Do Not Make Good Pets de Mariana Viegas (Portugal)

A artista Mariana Viegas apresenta o video Why Monkeys Do Not Make Good Pets, 2008, 5', filmado no antigo jardim zoológico de Berlim leste, que foi inaugurado em 1954. Os terrenos ocupados pelo zoo coincidiram com os do maior depósito de entulho da cidade, amontoados ali depois dos bombardeamentos da cidade na 2ª Grande Guerra.Quando foi construído, foram aproveitadas para o zoo muitas pedras e pedaços decolunas e esculturas dos palácios e o templo dos macacos foi então construído. Nestetrabalho há uma alusão ao romantismo alemão e à antiguidade clássica, num cenáriodecadente de macacada e exotismo pós-colonial.

Linda Fantasia de Rui Horta Pereira (Portugal)

Combinando a prática do desenho e da escultura, o artista Rui Horta Pereira efabulamundos de seres fantásticos que emergem de uma vastidão topográfica, em paisagens aéreas, por vezes montanhosas e/ou abissais que afirmam a impossibilidade do (mundo) real. A sua obra pode oscilar do figurativo onírico ao abstracto iconoclasta, transformando um desenho numa operação conceptual. As suas esculturas e desenhos lidam com a dimensão do tempo, da história, da literatura, do mundo sobrenatural, da ciência, da arquitectura. Os seus livros de artista são exercícios de conjugação da prática do desenho sob forma de leitura, onde a linha contínua de cada desenho é expandia à medida que o usuário manipula o objecto.A exposição Linda Fantasia apresenta uma grande escultura em madeira, desenhos em grafite sobre papel e um livro de artista, intitulado Dr. Confuse.

4X de Joana da Conceição, João Serra, Liene Bosquê, Miguel Pacheco

 4X é uma mostra colectiva que reúne artistas cuja temática discute a arquitectura como espaço de representação e simbolismo.A obra de Joana da Conceição é um processo de recriação do mundo. Utilizando atecnologia como ferramenta, a artista discute o real e o virtual num mundo comobsessão pelo imediato, pela urgência do tempo. Mapas e cartografias interessam aartista como modus operadi desta discussão entre o natural e o cultural. Austrália, título da série de imagens, trata-se de uma instalação que a artista denomina de composição /combinação de várias obras do projecto.O universo fotográfico de João Serra mantêm como foco a arquitectura como objectode discussão social. O seu jogo é revelar o implícito abandono, o excluído, o marginalque tantas vezes se esconde sob forma de reformulação urbana. As suas imagens são tiradas nos bairros populares e periferias das grandes cidades, conjugando um rigor das linhas da fotografia – herança estruturalista na fotografia contemporânea com um elogio da cor e da sensação. Nesta exposição, Dachas, João Serra mostra a transfiguração dos bairros industriais da região de Murmansk, Rússia, quando ostrabalhadores criam pequenas casas de veraneio, as tais dachas, no meio de umapaisagem industrialmente feia.Liene Bosquê interessa-se pela relação do ser humano com o espaço. Assim, odesenvolvimento do seu trabalho dá-se pela exploração do lugar como génese da obra.O seu trabalho parte das arquitecturas existentes para construir anamorfoses feitas com látex, linhas, pedras ou poeira, a jogar com a duplicação das linhas e dos aparatos da arquitectura tais como portas, janelas, umbrais e colunas. Nesta instalação, Liene cria uma imagem que inverte as linhas existentes no arco da antiga cozinha do Palácio Pombal.Miguel Pacheco cria obras de grandes dimensões onde a prática do desenho éjustamente potenciar o objecto retratado no seu máximo grau. Torres de alta tensão,reflectores de estádios e outros aparatos urbanos são graficamente tomados comomodelos, postos na escala humana numa linguagem gráfica que ora versa sobre odesenho, a pintura, o grafite de rua ou numa maqueta arquitectónica. Na instalaçãoapresentada no Carpe Diem, o artista aproxima-se das imponentes escadarias com dois desenhos de grandes dimensões, imagens de holofotes, que inserem o espectador no centro da cena.

Personal Dj, Susana Guardado (Portugal) com Inês Pais 23h00

Personal Dj é um projecto que se encontra na fronteira entre as artes visuais e a música, concebido para proporcionar novas formas e experiências de convívio entre pessoas de diferentes áreas profissionais e segmentos da vida social de uma cidade. É um trabalho que se inscreve numa vertente fundamental da produção artística contemporânea, já que reúne som, espaço e convivência, contribuindo para a ampliação das fronteiras entre a arte e a vida.Para a inauguração no dia 11 de Dezembro, Susana Guardado convida a artista InêsPais para participar do projecto através da performance + here and now, umhabitáculo de experiências colectivas de convivialidade, baseadas no trabalho dasartistas com a música e o corpo

   

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