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12-Mar-2010
Bernardí Roig e o regresso ao corpo no IVAM PDF Imprimir e-mail

By Vítor Leal, on 09-12-2009 14:34

 O Instituto Valenciano de Arte Moderna, Valência, com a colaboração da Galleria Internazionale d´ Arte Moderna Ca Pesaro, Veneza, apresenta uma exposição do artista maiorquino Bernardí Roig. Vinte e cinco peças compõem a exposição “Shadows must dance”, patente até 31 de Janeiro de 2010.

A exposição “Shadows must dance” de Bernardí Roig é organizada numa relação com a exposição permanente do IVAM, relação entre as peças pertencentes à exposição geral com um conjunto de trabalhos escultóricos que perturbam, subvertem a noção de exposição, criando uma exposição outra.

São peças executadas nos últimos cinco anos, esculturas de poliéster, resina e lampdas fluorescentes de figuras. São figuras antropomórficas, pessoas do círculo de amigos do artista, isoladas, com os olhos fechados, impossibilitadas de olhar ante pinturas e desenhos do séculos XIX e XX, ou de elementos luminescentes, produtores de calor.

Relação entre os que não vêm e obras visuais criam um caminho de solidão, mas também vêm reafirmar o corpo como centro dos sentidos, centro da experiência. Numa era onde, falaciosamente, se fala de uma “des-encorporação”, onde o corpo é tido por alguns teóricos como estando em vias de se tornar obsoleto, há uma reafirmação de que toda a experiência, prostética, virtual, digital só o é, enquanto experiência efectiva, no espaço do corpo humano. Identidade e perda de identidade, o sujeito depois do pós-humano depois do pós-moderno repensado e reafirmado, onde a falência do discurso verbal, de uma comunicação exactada é colocada em causa, “porque não se pode dizer o que realmente importa dizer” (Wittgenstein).

É um conjunto de trabalhos influenciado por Dan Flavin que explora a iluminação como factordeterminante na cultura ocidental, no nosso modo de representar, comunicar e viver o laico e o religioso.

Bernardí Roig desafia a percepção, num jogo entre o real actual e o sonho, entre a certeza e o questionável. Um jogo teatral, onde a narrativa é suspensa, onde a cenografia barroca se apresenta num jogo de dúvidas e ilusões.

Como afirma o próprio artista, Bernardí Roig, no press release: “Me interesa el Barroco y su sentido escenográfico. Se me acusa constantemente de excesivo y obsesivo porque entiendo la imagen como un condensado de experiencia incomunicada y esa convulsión desordenada posiblemente me lleve a la exageración. Los que defienden la contención dramática están fuera de mi linaje de preocupaciones. No hay que temer al exceso, posiblemente la única forma de acercarse a algo, aunque hay muchos que prefieren, todavía hoy, la ciénaga del formalismo fosilizado. Es el tejido del lenguaje con el deseo lo que convierte al sujeto en un acontecimiento relatado. Yo necesito ese relato para construir esas imágenes y ponerlas en escena. Me interesa el espacio teatral que inventa el minimalismo, donde la escultura pierde el pedestal, se reubica entre los objetos y se redefine en términos de lugar. Pero una vez aprendido esto, el minimalismo me deja de interesar porque consuma el modelo formalista de la modernidad. Es idealista, reductor y amnésico. Y yo soy un hijo de Pompeya que asume la herencia visual del cristianismo, la idea de la encarnación y no puedo olvidar que el rojo de un vaso de Creta contiene la memoria de la última puesta de sol".

(Dan) Flavin usa el fluorescente como material, precisamente, para desmaterializar el espacio y a mí me sirve como metáfora para construir una narración. Hay una pulsión de significado en mi trabajo que pasa por la figura, por situar la figura en el espacio y esperar que sucedan fricciones”.

   

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