| By NS*,
on 13-12-2009 12:43
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Os anos 70 desempenharam um papel crucial na estruturação da arte em Portugal, criando as bases para o papel do artista contemporâneo. Foi uma época de grandes convulsões políticas e sociais com reflexos cruciais que determinaram o processo de pesquisa e investigação daí decorrentes e que agora a Gulbenkian procura trazer a público com a exposição “Anos 70. Atravessar fronteiras”, patente no Centro de Arte Moderna, em Lisboa, até 3 de Janeiro.
Rita Macedo, em texto sobre a mostra , salienta o desenvolvimento da crítica e do mecenato como elementos que neste período contribuíram para esse desenvolvimento: “as questões de ordem político-económica não terão sido alheias ao despertar do mercado de arte ou à dinamização da própria crítica, mas apenas no alimentar de uma chama que havia sido acesa ainda antes da mudança governamental, com a reestruturação da crítica de arte e as consequências daí decorrentes que, entre outros aspectos, desencadearam algumas apostas de instituições privadas na arte contemporânea portuguesa”. A exposição, comissariada por Raquel Henriques da Silva, ocupa todo o CAM, sobretudo com duas propostas temáticas – “A necessidade de intervir” e “Experimentar: série e variação” – e integra obras oriundas da colecção da própria Gulbenkian, da Fundação de Serralves, do Museu do Chiado, do Museu Berardo, da Culturgest e de diversas colecções privadas, nomeadamente dos próprios artistas. Neste período, “a arte está na rua e mistura-se com o quotidiano; não trata do belo mas da (des)construção da vida, numa programática de questionamento e experimentação que vai da esfera individual ao compromisso político mais amplo – lê-se na Nota Informativa. – Finalmente atravessar fronteiras políticas e geográficas, assumindo um nomadismo criativo que circula entre cidades e grupos, antecipando a sociedade global do início do século XXI”. As obras dos artistas, nessa década, “debatem os grandes temas da cultura ocidental de então, pressentindo, sob a efémera abundância económica e financeira, as ameaças que nunca mais pararam de crescer”. * Publicado pela revista NS, suplemento de sábado do DN e do JN Colectiva, “Anos 70. Atravessar fronteiras” CAMJAP da Fundação Calouste Gulbenkian Rua Dr. Nicolau de Bettencourt Lisboa Até 3 de Janeiro Terça a domingo das 10h às 18h |
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